Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, participou de reuniões, palestras e eventos da OnilX, empresa de criptomoedas alvo de uma ordem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e de mais de uma centena de ações movidas por investidores que cobram resgates. Guedes não integra formalmente o quadro societário do grupo.
Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), Guedes ganhou o apelido de “superministro”. Na OnilX, ele recebia investidores, dava consultorias e teve sua imagem usada em peças de divulgação. Em publicação da companhia feita em dezembro, ele aparece ao lado do dono da empresa, Fábio Lino, e de executivos da Visa, descrito como alguém que dava “suporte e visão” ao negócio.
Em palestras para assessores e investidores, o ex-ministro elogiou a empresa. Em um vídeo, diante de uma plateia de quase 500 pessoas, afirmou: “Quanto mais ocorrem esses avanços tecnológicos, maior a centralidade da OnilX nesse mundo digital que aparece. Então, vocês estão de parabéns!”.
Um casal que pede na Justiça a devolução de R$ 876.513 relatou que ampliou os aportes após participar de uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril. A petição afirma que a presença do ex-ministro e as referências à solidez do grupo levaram os autores a manter e aumentar os investimentos; quatro meses depois, eles tentaram sacar os recursos sem sucesso.

CVM suspendeu ofertas da OnilX em janeiro
Em outro processo, uma empresa cobra R$ 632.183,33 investidos por meio da OnilX. Mensagens anexadas à ação mostram uma assessora usando o nome de Guedes para transmitir confiança ao potencial cliente. “O Paulo Guedes tá dentro da empresa”, disse ela, ao afirmar que poderia marcar encontros com o ex-ministro para interessados em aplicar valores acima de R$ 3 milhões.
A CVM editou em 12 de janeiro de 2026 o Ato Declaratório nº 24.680 e determinou que a OnilX suspendesse imediatamente ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários, sob pena de multa diária. A autarquia concluiu que o grupo não tinha autorização para captar recursos, atuar como assessor de investimentos ou intermediar valores mobiliários.
Pareceres técnicos da CVM apontaram ofertas de contratos padronizados com promessa de rentabilidade fixa diária ou mensal e operações de arbitragem de moedas estrangeiras no mercado de balcão. Para a autarquia, esses elementos caracterizavam contratos de investimento coletivo, submetidos à regulação federal. Em 1º de abril, o colegiado negou, por maioria, o pedido da empresa para revogar a ordem cautelar.
A advogada Anne Caroline Marciquevik, ex-assessora especial de Guedes no Ministério da Economia, representou a OnilX em reuniões com a CVM para tentar derrubar a medida. Dados da Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo, registram seis encontros dela com autoridades da autarquia desde a emissão da ordem.
A OnilX afirma que tem CNPJ ativo, sede no Brasil e cerca de cinco anos de atuação com ativos virtuais. A empresa diz que não atua como gestora, não promete rentabilidade fixa nem oferece contratos de investimento coletivo e sustenta que a decisão da CVM não impede a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento. Paulo Guedes e Fábio Lino não responderam aos questionamentos sobre a atuação do ex-ministro e as ações judiciais.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/paulo-guedes-onilx-cvm-investidores-criptomoedas/


