A Polícia Federal encontrou documentos que, segundo os investigadores, constituem provas de pagamento de propina ao ex-secretário de Governo e Participação Social da Prefeitura de Recife João Guilherme de Godoy Ferraz (PSB), foragido da Justiça desde 4 de setembro.
Os agentes apreenderam oito canhotos de talões de cheques que apontariam pagamentos relacionados à empresa Pernambuco Conservadora, contratada pela prefeitura durante a pandemia de Covid-19.
De acordo com relatório da PF, a análise bancária confirmou que os cheques foram sacados por Deyvid Alexandre de Lima Souza, apontado pelos investigadores como testa de ferro do empresário Paulo Correia Pinto Filho, fundador da Pernambuco Conservadora. A empresa manteve contratos com a Prefeitura do Recife, e alguns pagamentos públicos ocorreram em datas próximas às transações investigadas.
“Chama a atenção que a propina foi paga durante o auge da pandemia de Covid-19, momento de grave comoção nacional”, afirma o relatório policial.
“É evidente que estamos diante de prova concreta da prática do crime de corrupção praticado por ex-servidor da Prefeitura do Recife, possivelmente João Guilherme de Godoy Ferraz, e de corrupção ativa praticada por Paulo Correia Pinto Filho, com participação de Deyvid Alexandre de Lima Souza”.
Na última semana, agentes da PF fizeram uma nova tentativa de cumprir mandados de busca e apreensão no endereço de Ferraz. Segundo as investigações, o ex-secretário seria um dos operadores de esquemas envolvendo contratos da Prefeitura do Recife nas gestões de Geraldo Julio e João Campos, ambos do PSB.
Ferraz teve a prisão decretada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) em 4 de setembro e foi um dos principais alvos da Operação Check-in. A investigação apura suspeitas de pagamento de propina pela Pernambuco Conservadora durante o período em que ele ocupava a secretaria municipal, na gestão de Geraldo Julio.
A apuração teve origem em elementos reunidos na Operação Firenze, deflagrada cerca de um ano antes, que investigou um grupo de empresas terceirizadas. Além da Pernambuco Conservadora, o suposto cartel incluiria a Solserv Terceirização, a RC Serviços & Conservação e a MA7 Securitizadora.
Em 2020, a Pernambuco Conservadora recebeu R$ 25,7 milhões da Prefeitura do Recife, dos quais R$ 17 milhões vieram de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total, R$ 2 milhões foram pagos por meio de contrato com a secretaria comandada por Ferraz. Já durante a gestão de João Campos, a empresa teria faturado mais de R$ 125 milhões com o município.
O ex-secretário também foi investigado na Operação Apneia, da Polícia Federal, que apurou suspeitas de irregularidades na compra de respiradores durante a pandemia.
A trajetória de Ferraz na administração municipal começou em 2013, quando assumiu a chefia do Gabinete de Projetos Especiais da gestão de Geraldo Julio. Em janeiro de 2019, passou a comandar a Secretaria de Governo e Participação Social, cargo que ocupou até o fim daquela administração, em 2020. Embora tenha deixado a administração direta na transição para o governo de João Campos, informações sobre as investigações apontam que ele teria mantido influência nos bastidores da prefeitura.
Ferraz também aparece entre os investigados na Operação Barriga de Aluguel, do Ministério Público de Pernambuco, que apura suspeitas de favorecimento a empreiteiras em contratos de manutenção predial de equipamentos públicos municipais. Segundo elementos daquele inquérito, o ex-secretário teria atuado para favorecer empresas ligadas ao empresário Gustavo Muniz, apontado como um de seus amigos próximos.
As suspeitas envolvem contratos para serviços em escolas, postos de saúde e outros prédios públicos, incluindo a sede da prefeitura. Mais de R$ 200 milhões teriam sido movimentados ao longo de três anos. O inquérito, porém, foi trancado por decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido apresentado pela defesa ligada ao diretório nacional do PSB.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-encontra-documentos-que-apontam-propina-a-ex-secretario-de-recife-foragido/


