A Polícia Federal investiga se deputados federais sabiam, participaram ou se omitiram diante do uso de seus nomes em emendas parlamentares que teriam sido direcionadas pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A linha de apuração consta em decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do dirigente partidário.
A PF também considera a hipótese de que alguns parlamentares não soubessem que apareciam formalmente como solicitantes dos recursos. Na decisão, a corporação afirma que vai apurar a “participação, ciência, adesão ou inconsciência” dos deputados citados nos documentos; no caso, “inconsciência” indica eventual desconhecimento sobre o uso dos nomes.
Os deputados não aparecem identificados na parte pública da decisão. A PF afirma que já encontrou elementos mais consistentes sobre o possível envolvimento de determinados parlamentares, mas sustenta que a responsabilidade individual depende do avanço das investigações.
A apuração é um desdobramento da Operação Transparência, aberta para investigar possíveis irregularidades na distribuição de emendas de comissão da Câmara dos Deputados. Mensagens e planilhas encontradas no celular da servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, levaram os investigadores a apontar a existência de um “arranjo decisório paralelo” para a destinação das verbas.

PF aponta estrutura paralela para indicar verbas
De acordo com os investigadores, Valdemar, mesmo sem exercer mandato, teria definido valores, áreas e municípios beneficiados por emendas. Servidores da Câmara ficariam responsáveis por organizar as indicações, enquanto deputados federais apareceriam como solicitantes para dar aparência de legalidade ao procedimento.
A PF afirma que o mecanismo pode ter contado com “apoio e liberalidade política, ainda que através de omissão, de outros parlamentares”. A investigação tenta esclarecer se deputados autorizaram o uso de suas cotas e nomes, concordaram com indicações feitas por Valdemar, deixaram de impedir o procedimento mesmo sabendo dele ou foram incluídos nos documentos sem conhecimento.
Os investigadores identificaram ao menos 21 emendas, no total de R$ 119.216.703,15, atribuídas informalmente a Valdemar e empenhadas ou pagas entre junho de 2024 e março de 2026. A principal suspeita é de peculato e desvio, com foco no possível direcionamento de dinheiro público conforme interesses de uma pessoa sem mandato e sem competência legal para indicar emendas.
A PF também apura possível associação criminosa envolvendo Valdemar e os servidores Mariângela Fialek, Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto. Dino afirmou que ainda é cedo para concluir se houve apropriação de valores por servidores, benefício a empresários contratados pelos municípios ou participação direta de parlamentares, mas viu indícios suficientes para suspender a execução das emendas investigadas e bloquear bens do presidente do PL. A defesa de Valdemar nega categoricamente crime, chama sua articulação de “natural” e afirma que a decisão parte de premissas frágeis.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-investiga-se-parlamentares-aderiram-ou-se-omitiram-em-esquema-de-emendas/

