Contas vinculadas à Defesa Civil do Pará foram utilizadas para o envio de alertas falsos entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20). As mensagens foram disparadas por meio da plataforma nacional de alertas públicos e atingiram moradores de seis capitais brasileiras, três estados e o Distrito Federal. O caso é investigado pela Polícia Federal após suspeitas de invasão ao sistema.
As informações constam em um documento do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional encaminhado à PF. Segundo o relatório, ao menos dez alertas indevidos foram registrados sem autorização ou validação de autoridades competentes. As mensagens foram classificadas como de nível extremo, categoria reservada para situações de grave risco à população.
De acordo com o ministério, houve acesso não autorizado à Interface de Divulgação de Alertas Públicos (IDAP), ferramenta utilizada para emitir comunicados oficiais em situações de emergência. A hipótese inicial dos investigadores aponta para um possível ataque cibernético que permitiu a utilização indevida de credenciais ligadas à Defesa Civil paraense.
Os primeiros disparos ocorreram às 23h41 e às 23h45 do dia 19 de junho. Após a identificação da irregularidade, a equipe técnica bloqueou a conta utilizada. A medida, porém, não impediu novas ocorrências. Entre 1h20 e 1h23 da madrugada seguinte, outra credencial vinculada ao mesmo órgão foi usada para novos envios.

O documento destaca ainda que os usuários envolvidos possuíam perfil estadual restrito ao Pará. Mesmo assim, os alertas foram direcionados a localidades fora da área de atuação autorizada. Para os técnicos, o episódio indica não apenas o possível comprometimento das credenciais, mas também falhas que permitiram a emissão de mensagens para regiões sem permissão de acesso.
Ao todo, foram identificados dez disparos irregulares. Nove ocorreram por meio do sistema Defesa Civil Alerta, que envia notificações diretamente aos celulares conectados às antenas de telefonia. Outro alerta foi encaminhado por mensagem de texto. Nenhum dos comunicados estava relacionado a desastres reais ou seguia os protocolos oficiais da Defesa Civil.
As mensagens falsas foram direcionadas para as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco. Também houve registros destinados aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. Os alertas utilizavam categorias como alagamentos, tornados e deslizamentos para simular situações de emergência.
O conteúdo chamou a atenção das autoridades por apresentar termos sem qualquer relação com eventos de defesa civil. Em Belo Horizonte, uma das mensagens mencionava um suposto “ataque alienígena”. Nos demais casos, apareciam expressões como “misantropia”, “misantropo” e variações semelhantes. Após o incidente, as permissões utilizadas foram bloqueadas, termos considerados inadequados passaram a ser restringidos e a Polícia Federal iniciou uma apuração preliminar sobre o caso.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-investiga-uso-de-contas-da-defesa-civil-do-para-em-disparo-de-alerta-falso/

