PF suspeita que Toffoli tenha R$ 35 milhões de Vorcaro em paraíso fiscal

O empresário Alberto Leite e o ministro Dias Toffoli. Foto: reprodução

Um relatório da Polícia Federal levanta a suspeita de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), possa ter sido o beneficiário final ou proprietário de fato do fundo Arleen, que recebeu ao menos R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento também aponta possíveis conexões entre o fundo, o resort Tayayá e uma holding aberta nas Ilhas Virgens Britânicas.

“Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”, afirma a PF.

O relatório, obtido pela Piuaí, acrescenta que “Documentos e comunicação […] sugerem uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, incluindo movimentações envolvendo a Edige I Holding nas Ilhas Virgens Britânicas”.

O Arleen foi sócio do Tayayá, resort ligado à família de Toffoli em Ribeirão Claro, no Paraná. Em 2025, o fundo passou para o empresário Alberto Leite, amigo do ministro, teve seu regulamento alterado para permitir aplicações no exterior e posteriormente transferiu cerca de R$ 34 milhões para a Egide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.

Vista aérea do Resort Tayayá. Foto: reprodução

Toffoli nega qualquer relação financeira com estruturas no exterior. “O ministro jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior”, afirmou seu gabinete. A nota acrescentou que “o ministro jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas”.

O relatório traz ainda suspeitas sobre a atuação de Vorcaro em torno de um julgamento relacionado a precatórios do setor sucroalcooleiro. O Banco Master possuía mais de R$ 10 bilhões em ativos desse segmento e tinha interesse no resultado de uma ação da destilaria Alcídia contra a União.

Quando Toffoli adotou uma posição desfavorável às usinas em um processo semelhante, Fábio Faria, ex-ministro de Jair Bolsonaro e interlocutor de Vorcaro, demonstrou preocupação. “Matou a gente.” “Comecei a suar.” “Pqp”, escreveu.

O diretor jurídico do Master, André Kruschewsky, perguntou: “Vamos nos movimentar?”. Vorcaro respondeu em sequência: “Estou acompanhando”, “Mais do que imagina”, “Tá uma pica isso” e “Tô tratando aqui”. Um advogado do banco ainda se ofereceu para tentar retirar o julgamento da pauta.

Quando o processo da Alcídia foi finalmente julgado, Toffoli votou favoravelmente à usina. A tese venceu por 3 votos a 2. Um operador informou a Vorcaro: “Ganhamos Alcídia”. O banqueiro respondeu com um emoji de aprovação. A PF ressalta, porém, que os elementos “demanda aprofundamento analítico, não sendo no presente momento suficientes para conclusões definitivas”.

A corporação considerou especialmente relevantes as mensagens “Toffoli virou o voto” e “tô tratando aqui”, por ocorrerem às vésperas do julgamento e no contexto de conversas sobre a necessidade de “se movimentar”. O gabinete do ministro nega ter havido qualquer mudança irregular de posição.

Conversas de Vorcaro com Zettel, Faria e Toffoli. Foto: reprodução

O documento da PF também registra contatos frequentes entre Vorcaro e Toffoli. Os investigadores identificaram encontros, convites e ligações telefônicas. Em uma das ocasiões, Fábio Faria sugeriu que uma reunião ocorresse na casa de Vorcaro: “Melhor na sua casa pro Toffoli ficar mais de boa”. O banqueiro respondeu: “Então vamos só nós mesmo de homem mais os dois”.

A PF também encontrou 17 registros de chamadas de WhatsApp entre linhas atribuídas a Vorcaro e Toffoli durante 2024. Em outro episódio, Faria pediu um helicóptero para ir ao que chamou de “fazenda do Toffoli”. Vorcaro ofereceu uma aeronave: “Eu tenho na Prime um heli só meu”. “É pra nós usarmos”. Segundo a polícia, os dados técnicos indicam que o destino era o resort Tayayá.

O relatório foi produzido com base no conteúdo do celular de Vorcaro apreendido em novembro de 2025. A PF afirmou que o material revela “contatos diretos e indiretos” recorrentes entre o banqueiro e Toffoli, mas registrou que pontos centrais ainda necessitam de aprofundamento.

Em nota, Toffoli afirmou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com Vorcaro e negou ter recebido valores do banqueiro ou de pessoas ligadas a ele. O ministro também sustenta que as suspeitas envolvendo sua atuação já foram analisadas pelo Supremo.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-suspeita-que-toffoli-tenha-r-35-milhoes-de-vorcaro-em-paraiso-fiscal/