A Igreja Presbiteriana do Brasil vai decidir no fim deste mês se declara o Legendários incompatível com sua doutrina. O tema entrou na pauta do Supremo Concílio, instância máxima da denominação, por causa de um parecer que aponta risco de “desvio do evangelho” no programa cristão de imersão voltado a homens.
A reunião quadrienal do Supremo Concílio começa no próximo domingo (26), em Manaus, com expectativa de reunir mais de 1.600 representantes de 404 presbitérios do país. A deliberação pode transformar o parecer em orientação oficial para toda a IPB.
O documento formulado no sínodo de Tocantins recomenda que pastores, presbíteros, diáconos e demais membros não participem nem promovam o Legendários. O texto afirma que o movimento contraria a tradição reformada, ligada a igrejas protestantes históricas, como a presbiteriana e a metodista.
Caso aprove a proposta, a IPB também poderá permitir que conselhos regionais avaliem, caso a caso, a situação de membros que insistirem em acompanhar o movimento. O parecer fala em exercer “vigilância pastoral” e, se necessário, “orientar, em amor, os irmãos que tenham aderido a tais movimentos”.
Parecer cita coaching, desgaste físico e divisão nas igrejas
A comissão responsável pelo texto questiona o uso de metodologias associadas ao coaching, incluindo técnicas de alto impacto emocional. Na avaliação do grupo, essas práticas relativizam a suficiência das Escrituras e da obra de Jesus Cristo.
O parecer cita gritos de guerra, camisetas padronizadas, numeração de membros e referências ao Senhor Jesus como o “Legendário 001” entre os exemplos de inadequação. Para o documento, isso configuraria “nítido desvio” do Evangelho, “transformando a piedade em um produto de consumo grupal e performático”.
O texto também afirma que privação de alimento, desgaste físico intenso e pressão psicológica podem induzir estados emocionais interpretados como experiências espirituais. Outra preocupação é a criação de uma divisão entre “legendários” e homens que não participaram dos retiros, com impacto sobre a unidade da igreja local e a autoridade de pastores e conselhos.
O Legendários foi idealizado na Guatemala e chegou ao Brasil em 2018 por meio do pastor Ricardo Bernardes. O projeto afirma buscar a “configuração bíblica original” e o “instinto caçador” masculino diante de uma suposta omissão dos homens na sociedade atual; Pablo Marçal, Thiago Nigro, conhecido como Primo Rico, e o evangelista Deive Leonardo participaram de edições anteriores.
Joshua Catalan, vice-presidente de Essência e Projetos Especiais do Legendários, afirmou que o movimento respeita “as diferentes denominações cristãs e suas respectivas decisões” e disse que “a fome, a sede, a angústia e a depressão não têm religião”. Ele declarou que a organização atua em 24 países, soma mais de 220 mil participantes e segue “focada em ações que contribuem para comunidades mais fortes, solidárias e com o bem comum”.
O pastor Hernandes Dias Lopes, referência presbiteriana, disse em canal digital que não vê problema nos desafios físicos do Legendários se eles não forem revestidos de misticismo nem substituírem a centralidade da igreja. Segundo ele, um de seus filhos participou de uma edição e relatou que a experiência serviu para conhecer limites pessoais e refletir sobre esforço em favor do cônjuge e dos filhos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/presbiterianos-avaliam-vetoao-legendarios-por-desvio-do-evangelho/

