Produtora de “Dark Horse”, ligada a contrato de R$ 108 milhões em SP, pediu casa em programa social

Karina Ferreira da Gama, da produtora do filme “Dark Horse”. Foto: reprodução

A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pediu à Prefeitura de São Paulo a concessão de uso de uma casa na Brasilândia, periferia da Zona Norte, por meio de um programa municipal voltado a famílias de baixa renda. O requerimento foi assinado em janeiro de 2025.

Ela também preside o Instituto Conhecer Brasil, entidade que firmou em 2024 um contrato de R$ 108 milhões com a gestão Ricardo Nunes (MDB) para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda. A contratação está sob investigação do Ministério Público de São Paulo. Karina também comanda a Academia Nacional de Cultura, que recebeu emendas parlamentares de deputados do PL.

Segundo documentos obtidos pela Folha, Karina pediu que a concessão de uso especial de um lote fosse transferida para seu nome. O benefício estava registrado em nome de um tio dela, que morreu em 2018. No requerimento, ela informou que o terreno tem quatro casas, todas ocupadas por familiares, e disse morar no local.

A Secretaria Municipal de Habitação negou o pedido. Segundo a pasta, a solicitação foi indeferida porque, após análise técnica e documental, a empresária não atendia aos requisitos da legislação municipal. “A Sehab ressalta que todos os processos de transferência passam por análise técnica e jurídica individualizada, observando os critérios legais e normativos aplicáveis.”

O programa de regularização fundiária foi anunciado em 2008 como benefício para famílias de baixa renda. Pelas regras da época, o beneficiário da concessão de uso especial deveria declarar que não era proprietário de outro imóvel e que se enquadrava em situação socioeconômica de baixa renda.

Em abril, a prefeitura rejeitou formalmente o pedido de Karina. A Secretaria de Habitação concluiu, após visita ao local, que o imóvel não tinha “condições de habitabilidade” e estava vazio. Vizinhos e parentes, porém, disseram à Folha que Karina ainda mora no terreno com os pais.

Mário Frias, Flávio Bolsonaro, Jim Caviezel e Carluxo. Foto: reprodução

O Instituto Conhecer Brasil também é alvo de apuração sobre o contrato de wi-fi. O Ministério Público investiga suspeitas de direcionamento no chamamento público, falta de justificativa técnica ou econômica, aditivos sucessivos e repasses adiantados por serviços ainda não implantados.

A prefeitura afirma que a contratação ocorreu por chamamento público “transparente e sem contestações” e que 3.200 pontos de wi-fi já foram implementados.

Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo de “Dark Horse”, destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil em 2025 para projetos de letramento digital e incentivo ao esporte. Em 2022, sua campanha pagou R$ 54 mil a uma empresa de Karina por serviços de assessoria de imprensa.

O caso ocorre em meio à crise do financiamento de “Dark Horse”. O Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, por parcelas do filme. A apuração indica que Vorcaro pagou R$ 61 milhões ao projeto.

Karina negou ter recebido repasses do banqueiro e disse que a produtora só tem investimentos estrangeiros. Mensagens reveladas pelo Intercept, porém, mostram Frias agradecendo Vorcaro pelo apoio: “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá?”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/produtora-de-dark-horse-ligada-a-contrato-de-r-108-milhoes-em-sp-pediu-casa-em-programa-social/