O ministro Dias Toffoli, do STF, passou a ser tratado por colegas como um magistrado isolado na corte após a crise aberta pelas investigações sobre o Banco Master. O governo Lula viu nesse distanciamento uma oportunidade de reaproximação, já que Toffoli integra a composição titular do TSE e pode votar em julgamentos relevantes para as eleições de 2026.
Lideranças do PT avaliam que o ministro pode atuar como fiel da balança na Justiça Eleitoral. O alerta no partido aumentou quando Toffoli concedeu liminar para determinar a retotalização de votos que levou à perda do mandato do deputado federal Paulão (PT-AL), declarada na sexta-feira (10), com a cadeira transferida a um parlamentar do Republicanos.
O caso também expôs atrito entre Toffoli e a ministra Estela Aranha, do TSE, que já ocupou cargo no governo Lula. Durante o julgamento, ele criticou um pedido de vista apresentado por ela e disse que o instrumento não pode ser “um artifício para prorrogar ou impedir o exercício de mandato eletivo”. Estela negou essa intenção: “O ministro, no exercício de suas funções, tem que obviamente tomar suas decisões de acordo com a sua avaliação, assim como meu pedido de vista está de acordo com o regimento”.
Interlocutores de Lula temem que Toffoli se afaste da ala formada por Estela e pelo ministro Floriano de Azevedo Marques e se aproxime de Kassio Nunes Marques e André Mendonça, presidente e vice-presidente do TSE, ambos indicados ao STF no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A nomeação da juíza Renata Gil, namorada de Toffoli, para a diretoria de assuntos internacionais do TSE foi lida por auxiliares de magistrados como um aceno de Kassio ao ministro.

Crise do Master aumentou desconfiança no Supremo
A desconfiança em torno de Toffoli no STF cresceu depois do vazamento de uma gravação de sessão secreta em que os ministros definiram que ele deixaria a relatoria do inquérito do Banco Master, em fevereiro. À coluna de Mônica Bergamo, ele negou ter feito a gravação clandestina: “É um fato absolutamente inverídico”.
O Supremo vive uma divisão interna entre dois grupos: um formado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, e outro por Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Edson Fachin, presidente da corte. Toffoli não transita em nenhum dos blocos, embora discorde da condução de Fachin à frente do tribunal em meio à crise envolvendo o Master.
Toffoli e Alexandre de Moraes entraram no centro do desgaste do STF após menções localizadas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado sob suspeita de liderar uma organização criminosa para praticar fraudes financeiras. Os dois ministros negam irregularidades, mas uma pessoa próxima a Toffoli afirma que ele passou a ver nos colegas mais disposição para proteger Moraes do que para defendê-lo.
A pessoas próximas, Toffoli diz que suas teses continuam recebendo apoio nas votações e que não existe isolamento jurídico no tribunal. O ministro também afirma que não participa de “panelinhas” e que seu único dever de alinhamento é com a Constituição; sobre a aproximação buscada pelo PT, sustenta que relações pessoais não interferem em suas decisões.
Antes de chegar ao STF, Toffoli atuou no governo Lula como subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, de 2003 a 2005, e advogado-geral da União, de 2007 a 2009, ano em que recebeu a indicação para a corte. Neste ano, enquanto ele ainda relatava o caso Master, Lula se irritou com o sigilo imposto ao processo e disse a pelo menos três auxiliares que o ministro deveria pedir para deixar o Supremo.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pt-tenta-se-aproximar-de-toffoli-apos-isolamento-no-stf-em-meio-a-crise-do-master/

