O presidente Lula atingiu em agosto sua melhor avaliação desde janeiro, de acordo com pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (20). O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, mostra que a desaprovação ao governo é de 51%, enquanto a aprovação chega a 46%.
A diferença, que em meses anteriores já havia sido de 17 pontos, agora caiu para apenas cinco. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, dois fatores explicam a melhora: a percepção de queda nos preços dos alimentos e a postura de Lula diante do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“É o supermercado, estúpido! Depois de mais de um ano e meio, a parcela de brasileiros que percebe alta no preço dos alimentos caiu para perto de 60%. Esse alívio no bolso impulsionou a popularidade do governo, sobretudo entre os mais pobres”, afirmou.
A pesquisa revela que a parcela dos brasileiros que acreditam que os preços dos alimentos subiram caiu de 76% para 60%. Ao mesmo tempo, cresceu de 8% para 18% o percentual dos que dizem que os preços caíram. Também houve melhora na percepção sobre o poder de compra: de 80% para 70% caiu o grupo dos que acham que a renda perdeu valor, enquanto subiu de 11% para 16% o dos que acreditam estar comprando mais.
Outro dado relevante está na expectativa em relação à economia. Pela primeira vez neste ano há um empate entre os que acreditam que a situação vai melhorar (40%) e os que avaliam que vai piorar (40%). Nos levantamentos anteriores, predominava a visão pessimista.
“A sensação de melhora nos preços vem sendo sentida em todas as regiões desde o começo do ano. Mas, agora, sem as crises do PIX e do INSS, os efeitos ficaram mais claros e repercutiram na popularidade do governo”, explicou Nunes.


De acordo com o diretor da Quaest, a base social do presidente também registrou mudanças importantes. “Se de março pra julho Lula melhorou sua popularidade na renda média, neste último mês o governo recuperou popularidade na renda baixa: a aprovação foi de 46% para 55% (+9) e a desaprovação foi de 49% para 40% (-9) neste estrato”, detalhou.
Além do impacto dos preços, a postura do presidente em relação ao tarifaço também pesou na percepção popular. “Outro fator decisivo para a melhora na aprovação do governo foi a postura dele diante do tarifaço imposto por Trump ao Brasil. Para 48% dos brasileiros, Lula e o PT estão se saindo melhor nesse embate contra os EUA, enquanto apenas 28% defendem Bolsonaro e seus aliados”, disse Nunes.
Segundo a pesquisa, a maioria dos entrevistados acredita que a medida de Trump não teve motivação econômica, mas sim política. “O que se consolidou foi a percepção de que Trump anunciou o tarifaço por motivações políticas, não por motivações econômicas ou pessoais, além da percepção de que as tarifas vão prejudicar a vida dos brasileiros”, avaliou Nunes.
Esse diagnóstico, segundo ele, ultrapassa fronteiras ideológicas. “Num cenário tão polarizado, chama atenção o fato de que todos os segmentos da sociedade (do lulista ao bolsonarista) concordem com essa avaliação”, destacou.
Ainda assim, há divisão sobre a postura de Lula: 49% dizem acreditar que o presidente age em defesa do Brasil, enquanto 41% afirmam que ele estaria se aproveitando da situação para se promover. Para Nunes, “essa é uma divisão de opinião que remete à polarização da eleição passada”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/queda-nos-precos-e-embate-com-trump-elevam-avaliacao-de-lula-diz-diretor-da-quaest/

