Quem é a produtora de “Dark Horse” que recebeu os R$ 108 milhões da Prefeitura de SP

Karina Ferreira da Gama, da produtora do filme “Dark Horse”. Foto: reprodução

Karina Ferreira da Gama virou personagem central em investigações que envolvem um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, a produção do filme “Dark Horse” e repasses ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A empresária preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e também está ligada à GoUp Entertainment, produtora da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Instituto Conhecer Brasil foi contratado pela gestão Ricardo Nunes (MDB) para implementar e manter 5 mil pontos de wi-fi gratuito na capital paulista. O contrato, firmado por meio da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, é investigado pelo Ministério Público de São Paulo por suspeitas de irregularidades na seleção da entidade e na execução do serviço.

Segundo o material analisado, técnicos do Tribunal de Contas do Município apontaram inconsistências no edital, incluindo ausência de ampla concorrência e falta de exigência de comprovação de capacidade técnica prévia. O ICB teria sido a única entidade a apresentar proposta para tocar uma rede pública de telecomunicações na maior cidade do país.

A execução do contrato também entrou na mira dos investigadores. A meta era entregar 5 mil pontos de acesso, mas relatórios citados no caso indicam pouco mais de 3.200 roteadores instalados.

Outro ponto questionado é o valor pago à entidade: o instituto deveria receber cerca de R$ 43 milhões pela manutenção proporcional dos equipamentos entregues, mas teria recebido R$ 69 milhões após aditivos, uma diferença de R$ 26 milhões.

Nas redes sociais, o vereador de São Paulo Nabil Bonduki (PT) questionou os motivos da gestão Nunes escolher a empresa de Karina, que sequer conta com uma sede própria. “Como um projeto tão mal estruturado foi aprovado?”, perguntou-se.

Em resposta, a empresária se defendeu alegando que não tem que se envergonhar de ascender socialmente, mas não respondeu nenhum dos questionamentos do vereador petista

Produção de Dark Horse

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Casa de Karina Ferreira da Gama, que assinou contrato multimilionário para produzir o filme sobre Bolsonaro. Foto: Reprodução

A ligação com “Dark Horse” aparece porque Karina também comanda a GoUp Entertainment, marca ligada à produtora do filme sobre Bolsonaro. No Brasil, a empresa funcionaria no mesmo endereço do ICB, na Avenida Paulista, um escritório bancado pela Prefeitura de São Paulo, de acordo com Bonduki.

Nos Estados Unidos, a estrutura da GoUp teria sido usada para o desenvolvimento do projeto audiovisual, com orçamento estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões.

Documentos citados pelo The Intercept Brasil apontam que a captação do filme incluía cotas de investimento de US$ 500 mil e pacotes mais caros. Um deles, de US$ 1,1 milhão, oferecia como atrativo uma “oportunidade de imigração”, associando o aporte no projeto a trâmites para residência permanente nos Estados Unidos.

Vorcaro teria se comprometido a aportar US$ 24 milhões no projeto. Desse total, ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, por meio de operações internacionais. A defesa de Karina nega o recebimento de valores oriundos do banqueiro e afirma que os investidores da GoUp LLC são empresas estadunidenses protegidas por sigilo contratual.

O caso também envolve Eduardo Bolsonaro (PL-SP), morando no Texas, nos Estados Unidos, desde 2025, quando largou o mandato para, e está identificado em documentos como produtor-executivo de “Dark Horse”.

Em uma mensagem revelada, ele tratou da remessa de recursos: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai be necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”

No Supremo Tribunal Federal (STF), outra frente apura emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas a Karina. O deputado Mario Frias (PL-SP), que também participa do projeto do filme, destinou ao menos R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, segundo a apuração.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/quem-e-a-produtora-de-dark-horse-que-recebeu-os-r-108-milhoes-da-prefeitura-de-sp/