Quem é o pastor bolsonarista condenado por dizer que beijou filha

O pastor bolsonarista Lucinho Barreto, da Igreja Batista da Lagoinha. Foto: Reprodução

O pastor Lúcio Barreto Júnior, conhecido como Lucinho, foi condenado pela Justiça de Minas Gerais após declarações feitas durante um sermão em 2024. A decisão da 17ª Vara Cível de Belo Horizonte determinou que ele e a Igreja Batista da Lagoinha paguem R$ 150 mil por danos morais coletivos.

Além da indenização, o religioso terá de fazer uma retratação pública sobre o combate à violência contra mulheres e crianças. O caso teve origem em uma pregação realizada em maio de 2024 para um público de mais de mil homens.

Durante o sermão, Lucinho relatou que havia beijado a própria filha na boca quando ela tinha 11 anos. Ao falar sobre a menina, também reproduziu expressões como “Nossa, que mulherão” e “ai se eu te pego”, além de afirmar que diria ao futuro namorado dela que seria “o segundo”.

Nascido em 25 de outubro de 1971, em Belo Horizonte, Lucinho é uma das principais lideranças ligadas à Lagoinha. Ele ganhou fama nacional especialmente por seu trabalho com jovens e adolescentes à frente do movimento “Loucos por Jesus”. Sua atuação religiosa também se estende a outras unidades da igreja, incluindo a Lagoinha Alphaville.

O pastor possui formação em Teologia Ministerial pelo Seminário Teológico Evangélico do Brasil (STEB) e mestrado em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana (FTSA), em Londrina, no Paraná. Ele também recebeu o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte e um Diploma de Honra ao Mérito pelo trabalho social e religioso voltado à juventude.

Além das atividades pastorais, Lucinho atua como palestrante em congressos e participou de expedições missionárias e ações sociais em países como Índia, Haiti, Jordânia e Nepal.

Sua imagem pública também foi marcada por episódios polêmicos. Em 2012, por exemplo, ele publicou uma fotografia em Vila Velha, no Espírito Santo, na qual aparecia com o nariz encostado nas páginas de uma Bíblia aberta, simulando o ato de “cheirar” o livro.

O pastor bolsonarista “cheirando” a Bíblia. Foto: Reprodução

A imagem foi usada na divulgação de um culto destinado ao público jovem e recebeu críticas por fazer referência ao consumo de drogas. Na época, Barreto defendeu a iniciativa e afirmou que a intenção era metafórica: segundo ele, a proposta era estimular os jovens a “viciar” na Palavra de Deus.

Politicamente, Lucinho também se tornou conhecido por seu alinhamento ao bolsonarismo. O pastor atacou Nossa Senhora Aparecida durante um culto e questionou a narrativa católica sobre a imagem encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul.

Ele afirmou que a imagem teria sido encontrada coberta de lodo e declarou que “o Brasil não pertence a essa senhora, o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo”, discurso semelhante a uma declaração que também havia sido feita pelo senador Flávio Bolsonaro.

O episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida faz referência à história da imagem encontrada em 1717 por Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, pescadores que estavam no rio Paraíba do Sul, na região de Guaratinguetá. A imagem posteriormente passou a ser venerada pelos católicos como Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

A condenação do pastor bolsonarista

A pregação que motivou a condenação foi gravada pela própria Igreja Batista da Lagoinha e publicada em seu canal oficial no YouTube. Os trechos ganharam repercussão nas redes sociais e motivaram a atuação do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG).

Para o órgão, o conteúdo ultrapassou a esfera da intimidade familiar e apresentou elementos de objetificação feminina e naturalização de comportamentos invasivos.

Na sentença, a juíza Miriam Vaz Chagas considerou que a maneira como o episódio foi apresentado poderia contribuir para naturalizar comportamentos invasivos contra meninas e mulheres. A magistrada também avaliou que a igreja teve responsabilidade pelo alcance da mensagem, já que permitiu a realização da pregação em seu templo e posteriormente divulgou o conteúdo integralmente, sem advertência ou comentário crítico.

A defesa alegou que o episódio envolvendo a filha havia ocorrido em 2011 e que se tratava de uma brincadeira sem conotação sexual. A juíza, no entanto, argumentou que a ação civil pública analisou as declarações feitas durante a pregação de 2024, quando o próprio pastor decidiu contar o episódio publicamente. A decisão é de primeira instância e ainda está sujeita a recurso.

A condenação mais recente impõe ainda obrigações específicas ao pastor e à Igreja Batista da Lagoinha. Depois do trânsito em julgado, Lucinho deverá realizar um novo sermão sobre “Educação de Filhos”, com duração e público equivalentes aos da pregação de 2024. Ele deverá se retratar expressamente e abordar o combate ao ódio, à discriminação e a todas as formas de violência, inclusive sexual, contra mulheres e crianças.

A igreja terá de gravar e divulgar a retratação no YouTube e em suas redes sociais por pelo menos um ano, além de publicá-la em três veículos de imprensa escrita de circulação estadual em Minas Gerais. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 100 mil.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/quem-e-o-pastor-bolsonarista-condenado-por-dizer-que-beijou-a-propria-filha/