Daniel Siad, olheiro de modelos que recrutava mulheres para o financista Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em sua casa nos arredores de Paris. A informação foi confirmada por autoridades francesas, que abriram uma investigação para esclarecer a causa da morte. Uma autópsia será realizada.
Siad, de 69 anos, era alvo de uma investigação conduzida pela promotoria francesa especializada em tráfico de pessoas. Ele respondia a acusações de estupro, tráfico humano e outros crimes. Seu nome também aparecia em mais de mil documentos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no início deste ano.
Considerado um dos principais colaboradores de Epstein na Europa, Siad foi acusado de ajudar o empresário americano a identificar e recrutar jovens mulheres para encontros que, segundo investigadores, faziam parte da rede internacional de exploração sexual operada por Epstein.
Recrutava mulheres em diversos países
Segundo os documentos divulgados pelas autoridades americanas, Siad viajava regularmente por países da Europa Oriental, além de Cuba e Suécia, em busca de jovens interessadas na carreira de modelo.
Um e-mail enviado em junho de 2012 a Jeffrey Epstein revelava planos de uma viagem de oito dias a Porto Alegre em busca de presas para o bilionário. A mensagem integra documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e reforça a presença no Brasil de pessoas apontadas como intermediárias da rede internacional de tráfico sexual ligado a Epstein.
Em uma mensagem enviada em 2014, Siad comparou seu trabalho ao de um pescador. “Nesse negócio, às vezes me sinto como um pescador. Às vezes pesco rápido, às vezes não há peixe”, escreveu.
Os registros indicam que ele manteve contato frequente com Epstein até poucos meses antes da morte do financista, em 2019, recebendo transferências bancárias que, segundo os investigadores, cobriam despesas de viagens para recrutar mulheres.
Ligação com Jean-Luc Brunel
Siad também trabalhou para Jean-Luc Brunel, um dos mais influentes agentes de modelos da França e outro personagem central do escândalo envolvendo Epstein.
Brunel foi preso em 2020 sob acusações de estupro de menores e assédio sexual. Ele negava qualquer participação em uma rede de tráfico sexual, mas foi encontrado morto em sua cela em fevereiro de 2022, antes de ser julgado. A Justiça francesa concluiu que ele cometeu suicídio.
Jeffrey Epstein também morreu na prisão, em agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. Sua morte foi oficialmente classificada como suicídio, embora continue cercada por teorias da conspiração.
Acusações de estupro
No início deste ano, a ex-modelo sueca Ebba Karlsson acusou Daniel Siad de tê-la estuprado na França em 1990, quando ela tinha 20 anos.
Segundo Karlsson, Siad a abordou inicialmente em Estocolmo oferecendo oportunidades na indústria da moda. Ela afirmou que só conseguiu identificá-lo décadas depois, ao ver sua fotografia entre os documentos relacionados ao caso Epstein.
A ex-modelo registrou na Justiça francesa denúncias de estupro e tráfico de pessoas.
O advogado de Siad negava todas as acusações.
Após a confirmação da morte, Karlsson lamentou que o processo não tenha chegado ao fim. “É muito frustrante. Ele estava muito perto de ser preso. Trabalhamos muito para conseguir justiça”, declarou à agência AFP.

E-mails revelam perfil das mulheres
Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça mostram que Siad enviava constantemente relatórios a Epstein sobre as mulheres que encontrava.
Em uma mensagem de 2009, escreveu: “A Eslováquia é o lugar certo.”
Ele informou que tinha 45 mulheres para conhecer naquele país e disse que passaria o verão visitando pequenas cidades na Eslováquia, República Tcheca, Polônia e Hungria.
Em outro e-mail prometeu: “Vou fazer uma grande surpresa quando você vier a Paris.”
As respostas de Epstein eram curtas e objetivas.
“Alguma garota nova?”
“Alguma notícia?”
“Vale a pena ir a Paris?”
“Alguma mulher interessante?”
Em diversas ocasiões, Epstein perguntava apenas a idade das candidatas. Em uma das mensagens, Siad respondeu: “Ela tem 26 anos, mas parece ter 18.”
Defesa
Em entrevistas concedidas neste ano, Daniel Siad afirmou que acreditava estar apresentando modelos para testes legítimos de agências de moda e negou saber que Epstein comandava uma rede de exploração sexual.
Segundo ele, o empresário teria abusado de sua confiança.
“Com o tempo descobri que esse indivíduo cometeu atrocidades. Felizmente nunca apresentei a ele nenhuma menor de idade ou mulher que tenha sido abusada. Não tenho nada do que me arrepender”, declarou à televisão francesa.
Apesar da defesa, promotores franceses haviam criado uma força-tarefa para analisar as provas reunidas nos arquivos do Departamento de Justiça americano e investigar a atuação de cidadãos franceses citados nos documentos.
Com a morte de Siad, a investigação sobre sua responsabilidade criminal é interrompida, mas as apurações sobre a rede de recrutamento ligada a Jeffrey Epstein continuam em andamento.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/recrutador-de-modelos-para-epstein-que-atuou-no-brasil-e-encontrado-morto-na-franca/

