A JHSF, controladora majoritária da marca Fasano e um dos maiores grupos imobiliários e de luxo do Brasil, está no centro de uma crescente polêmica na Itália. Uma extensa reportagem publicada no domingo (21) pelo jornal italiano La Stampa retrata a revolta de moradores, ambientalistas, arqueólogos e juristas contra um empreendimento imobiliário de luxo em Cala Finanza, na costa da Sardenha, em frente à área protegida da ilha de Tavolara.
Trata-se de um dos casos mais controversos atualmente em debate no país, envolvendo suspeitas de irregularidades urbanísticas, impactos ambientais e uma batalha judicial que ainda está longe de terminar.
O governo regional autorizou o empreendimento apesar das contestações apresentadas por associações ambientais e especialistas em preservação costeira.
O que diz o jornal italiano
Segundo o La Stampa, o empreendimento está localizado numa área de enorme valor paisagístico e ambiental, entre Cala Girgolu e a praia de Cala Finanza, no nordeste da Sardenha.
A arqueóloga e guia turística Durdica Bacciu relata ter encontrado sinais visíveis de intervenção na vegetação local: “Encontrei pinheiros centenários cortados e uma faixa de cinco metros de largura completamente desmatada.”
O jurista ambiental Stefano Deliperi, do Grupo de Intervenção Jurídica, foi ainda mais duro: “Há uma verdadeira subversão da legislação de proteção costeira e, mesmo assim, a autorização foi concedida.”
A reportagem afirma que recursos administrativos e ações judiciais seguem em andamento, enquanto cresce a mobilização popular para tentar barrar a obra.
Quem está por trás do empreendimento
O jornal identifica a empresa responsável pelo projeto como a Aga S.r.l., controlada pelo grupo brasileiro JHSF, proprietário da cadeia de hotéis Fasano, uma das marcas mais tradicionais da hotelaria de luxo da América Latina.
A JHSF adquiriu a divisão hoteleira da família Fasano em 2007, tornando-se a controladora e operadora da marca. Desde então, o grupo transformou o nome Fasano em uma plataforma global de luxo que reúne:
- Hotéis cinco estrelas;
- Restaurantes de alta gastronomia;
- Empreendimentos residenciais de luxo;
- Clubes privados;
- Projetos imobiliários voltados ao público de altíssima renda.
A expansão fez do Fasano uma das marcas mais valiosas do setor premium brasileiro, com presença em diversos destinos turísticos e imobiliários.
Agora, porém, o nome da empresa aparece associado a uma disputa que ganhou repercussão nacional na Itália.
Protesto permanente a partir de julho
Moradores e ativistas planejam iniciar, em 1º de julho, um protesto permanente na praia de Cala Finanza. A intenção é manter uma vigília contínua contra o empreendimento.
Os organizadores afirmam que o movimento não é apenas uma defesa do meio ambiente, mas uma reação ao que classificam como a transformação de áreas naturais em espaços exclusivos para grandes investidores internacionais.
Segundo o jornal, a mobilização reúne:
- Associações ambientalistas;
- Comitês locais;
- Moradores da região;
- Juristas especializados em legislação costeira;
- Pesquisadores e arqueólogos.
A sombra de Jared Kushner
A reportagem faz ainda uma conexão com outro projeto altamente controverso no Mediterrâneo: os investimentos do empresário Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump, na costa da Albânia.
Os dois casos passaram a ser vistos por ativistas como exemplos de um mesmo fenômeno: a ocupação de áreas ambientalmente sensíveis por empreendimentos voltados ao turismo de luxo internacional.
A filósofa albanesa Lea Ypi afirma que tanto na Albânia quanto na Sardenha cresce a resistência ao avanço de grandes grupos econômicos sobre territórios considerados patrimônio coletivo.
Questionamentos sobre as autorizações
Outro ponto destacado pela reportagem é que os críticos consideram contraditória a autorização concedida ao empreendimento.
Segundo os opositores, a área estaria sujeita a restrições ambientais justamente por sua proximidade com ecossistemas protegidos e por seu valor paisagístico.
A matéria relata que parlamentares italianos apresentaram questionamentos ao governo nacional pedindo esclarecimentos sobre o processo de licenciamento.
Os críticos argumentam que os interesses econômicos acabaram prevalecendo sobre as preocupações ambientais.
JHSF no centro da controvérsia
Embora a JHSF seja mais conhecida no Brasil pelos projetos de alto padrão e pela operação da marca Fasano, a reportagem do La Stampa coloca o grupo como protagonista de um embate que extrapola a hotelaria e se transforma numa discussão sobre preservação ambiental, ocupação do litoral e influência de grandes investidores internacionais.
O jornal italiano o apresenta como um símbolo do conflito entre desenvolvimento imobiliário e proteção de áreas naturais.
Cala Finanza pode se tornar um marco da resistência contra empreendimentos de luxo em regiões ambientalmente sensíveis. Para a JHSF, a disputa representa um desafio reputacional em um dos mercados turísticos mais valorizados da Europa.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/resort-de-grupo-brasileiro-na-italia-vira-alvo-de-revolta-de-moradores-ambientalistas-e-juristas/

