Sorte a nossa se o reality show criado por Viih Tube fosse apenas sem noção.
Não é.
O programa de péssimo gosto se chama “As Patroas” – anunciando os absurdos classistas que promove.
Bastaria dizer que os “prêmios” são, além de dinheiro, “benefícios” no trabalho – a ideia de direito do trabalhador vinculada à necessidade de uma prova, nada mais pós-moderno.
Mas tem mais: as provas incluem procurar moedas de plástico em lixeiras, o “Desafio CLT”. – cujo prêmio, pasmem, é chegar uma hora mais tarde ao trabalho.
E como não lembrar, vendo isso, da série Round 6 – uma distopia, é claro – onde os participantes de um reality show para o entretenimento de super ricos cumpriam provas cuja recompensa era também o dinheiro – além, é claro, da própria vida.
Assim como na série, os empregados são usados para o entretenimento de gente podre, cumprindo provas que valem dinheiro e dignidade. Numa perspectiva mais ampla, a própria vida, porque é do trabalho que o pobre sobrevive.
Há uma violência simbólica gritante nesse programa: perder o emprego, para um pobre, é se aproximar mais da morte. É não poder alimentar os filhos. É não ter a mínima dignidade.
E o que será que acontece com os funcionários que se recusam, e como se recusariam?
Os empregados, aliás, postaram um vídeo defendendo a patroa. Três das funcionárias usaram argumentos com cara de conselho de assessoria mal feita: que amam trabalhar para o casal e que os direitos trabalhistas não lhes são negados.
Depois, coitadas, dizem que o prêmio é valioso, “uma moto”.
“Na rua é pior”, pensam.
Viih Tube está sendo CRITICADA por criar reality em que seus empregados competem por dinheiro e uma hora a menos de expediente. pic.twitter.com/vtqAfVNTD0
— POPTime (@poptime) July 1, 2026
Mas a YouTuber não é pioneira: Huck, por exemplo, é muito bom em ridicularizar pobre e depois dar-lhe uma reforma mixuruca ou um prêmio de 10 mil e ainda sair de altruísta.
A forma imoral e criminosa de ganhar dinheiro permanece a mesma: a superexposição dos funcionários, as horas extras sem remuneração, induzir empregados a se exporem em troca, ao fim e ao cabo, de seus empregos.
Como de praxe, o casal se retratou. Uma forma de se proteger, jamais uma tomada de consciência da noite pro dia. O “cancelamento” veio e trouxe a necessidade de retratação – simples assim.
Ao retirar o programa do ar, a mulher teve a cara de pau de dizer que “a ideia era criar uma websérie divertida, com provas e prêmios para os funcionários, e não humilhá-los”.
É fácil se divertir com os pobres, e não é novidade pra ninguém. Pergunte ao seu motorista se ele quer revirar lixo atrás de moedas de plástico pra chegar mais cedo no trabalho.
Como se não bastasse, disse que “gosta de produzir esse tipo de conteúdo e enxergava o projeto como uma oportunidade de entretenimento”
Acertou em cheio: entretenimento dos ricos às custas do sufoco do pobre. Como na série, é divertido ver pobre revirando lixo e passando mal. Que outro nome se dá a isso a não ser “humilhação”, minha querida?
Viih Tube não criou apenas um programa “cancelável”. Ela está sendo acusada de cometer crimes e violações, e isso não pode ser esquecido junto com o programa mequetrefe que o casal tirou do ar.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/round-6-a-violencia-de-viih-tube-contra-seus-funcionarios-por-nathali/

