Sakamoto: ‘Amigo’ Castro é pesadelo para Flávio Bolsonaro tal como o ‘irmão’ Vorcaro

Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro. Foto: reprodução

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

A Polícia Federal realiza hoje operação de busca e apreensão contra o ex-governador Cláudio Castro (PL), já chamado pelo pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) como um “grande amigo”. Sua gestão é suspeita de ter queimado R$ 3 bilhões no Banco Master, de Daniel Vorcaro — a quem o senador chamava de “irmão” e prometia estar com ele agora e sempre.

Desses, quase R$ 1 bilhão foi dinheiro de aposentadoria de garis, professores e enfermeiros, que estava na Rioprevidência sob responsabilidade de Castro.

A operação ocorre 11 dias depois de o ex-governador ter sido alvo da PF por outro mandado de busca e apreensão em meio à investigação sobre as sacanagens da Refit, de Ricardo Magro, que teria sonegado R$ 26 bilhões.

O “amigo” Castro também foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral pelo escândalo que sangrou os cofres públicos em mais de R$ 1 bilhão durante as eleições de 2022. Foram 24 mil pessoas contratadas ilegalmente com dinheiro público para atuar como cabos eleitorais. Investigação de Ruben Berta e Igor Mello, do UOL, em 2022, levou ao julgamento e revelou a engrenagem. Ele renunciou, contudo, logo antes da decisão para, em uma jogada, tentar garantir que seu grupo político permanecesse no poder.

Prédio do TSE. Foto: reprodução

Flávio Bolsonaro tem um talento raro: o de chamar de “amigo” e “irmão” exatamente quem a Polícia Federal vai visitar em seguida por corrupção ou roubo. É o networking às avessas: cada declaração de afeto, uma prova de que o senador tem péssimo julgamento de caráter ou um julgamento muito bom sobre quem pode ser útil enquanto durar.

Agora que a coisa fedeu, ele vem sendo aconselhado a se distanciar de Castro, abandonando-o no acostamento, seguindo o velho método usado por seu pai durante os quatro anos de governo. A suruba da política criminosa no Rio tem tanto potencial de estrago quanto aquela conduzida em São Paulo, Brasília e Trancoso por Vorcaro.

O problema é que a conta sempre chega. E quem paga, no fim, não é o “amigo” nem o “irmão”, são os garis, os professores, os enfermeiros que tiveram a aposentadoria tungada por um banco que o mercado já tratava como piada. Gente que trabalhou a vida inteira para descobrir que sua reserva virou pó graças a compadres.

A tragédia é que, nesse enredo, os poderosos sempre se dizem surpresos, traídos ou mal interpretados. Já os trabalhadores, esses não têm direito ao espanto. Apenas à conta.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sakamoto-amigo-castro-e-pesadelo-para-flavio-bolsonaro-tal-como-o-irmao-vorcaro/