Tarcísio, contudo, ainda é visto como um radical-oportunista pelo bolsonarismo-raiz que não costuma usar garfo e faca. Teve um alto cargo em governo do PT, dialoga com Fernando Haddad. Dois dias antes de subir ao carro de som na avenida Paulista vestindo a fantasia de Jair, ele estava sorridente batendo o martelo do leilão do túnel Santos-Guarujá ao ladinho do companheiro Geraldo Alckmin.

Neste momento, o govenador se esforça para mostrar que Eduardo Bolsonaro não tem o que se preocupar ao mesmo tempo em que busca ocupar o lugar do padrinho no coração de seus seguidores. A questão nem é a benção de Jair, que deve vir de qualquer jeito. Mas de não ter problemas no primeiro turno das eleições do ano que vem, com um J. Pinto Fernandes, como diria Drummond, ou com um Pablo Marçal, como diria Ricardo Nunes, lhe dando dor de cabeça. Até porque, no segundo turno, entre Lula e um Labubu, o bolsonarista vota no boneco chinês.
O pupilo de Bolsonaro puxa as rédeas da articulação pela aprovação de sua anistia no Congresso Nacional. Mas uma anistia meia-bomba, que tire Jair do xilindró, sem o colocar na urna eletrônica, transformando-o em um boneco inflável da política. Também faz promessas de que, uma vez eleito, vai tirar o seu mestre da cadeia, se ele ainda estiver por lá.
Mas dá para confiar? — deve estar refletindo Jair. Pois a menos que compre uma briga institucional, isso não será fácil, e terá que passar por impeachment de ministros do STF via Senado. Daniel “Surra de Gato Morto” Silveira está aí para mostrar. Uma vez eleito, Tarcísio vai querer isso mesmo ou buscará um “pacificação” entre os poderes que anule Jair para poder governar?
Por fim, mais do que a liberdade do Bolsonaro, está disputa quem controla a direita no Brasil. Se o ex-presidente entregar o seu destino ao governador, pode estar transferindo também a sua influência, mesmo que seja convencido de que continuará leal mesmo eleito. Afinal, o rei que não tem perspectiva de poder passa a coroa adiante, que não tem a obrigação de obedecer ao ex, apenas incensar a sua memória.
Dos Estados Unidos, Donald Trump, animado com a bandeira gigante dos Estados Unidos, tremulada pela extrema direita patriota (sic) na Paulista em pleno Dia da Independência do Brasil, enquanto o governador discursava, deve estar se questionando “How do I pronounce his name? Tar-see-sea-owl?”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sakamoto-bolsonaro-pode-confiar-mais-em-moraes-do-que-em-tarcisio-a-partir-de-agora/

