
Leonardo Sakamoto avaliou que a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14), com empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, dá novo ânimo à campanha petista e pressiona o adversário a abandonar o salto alto. Em análise no UOL News, o jornalista abordou a mobilização progressista nas ruas e nas redes, as contradições do senador sobre o fim da escala 6×1 e a atuação de Kassio Nunes Marques no TSE.
A Quaest aponta 51% a 49% de votos válidos. É a primeira pesquisa do instituto no segundo turno, então não temos um elemento de comparação e pesquisas diferentes não podem ser comparadas por terem metodologias diferentes. Dito isso, a distância encurtada, somada à melhoria de alguns indicadores, é excelente notícia para a campanha do presidente Lula. E ajuda a explicar por que o senador Flávio Bolsonaro decidiu, enfim, ir ao primeiro debate da TV Bandeirantes no domingo à noite. Provavelmente, bateu um sinal de alerta na campanha dele.
Mesmo que a pesquisa Quaest não tenha uma outra pesquisa comparativa, essa distância dá uma injeção de ânimo na militância.
No segundo turno, influenciadores do campo progressista, do campo democrático, da esquerda, apareceram e começaram a apoiar o Lula. Houve um ato com o presidente, que trouxe os políticos mais jovens eleitos com voto ideológico na internet para dentro da campanha. E, nesse sentido, a campanha vem tentando convencer que, caso Flávio Bolsonaro ganhe, direitos e benefícios sociais serão tolhidos, tentando fazem com que parte dos mais de 33 milhões que se abstiveram e os outros tantos milhões que votaram branco ou nulo optem por Lula. É uma campanha que usa o medo.

O que temos visto nos últimos dias são os trackings das duas campanhas mostrando uma aproximação, o que levou Flávio Bolsonaro a voltar atrás e anunciar sua participação no debate da Band. Essa pesquisa tira Flávio Bolsonaro do salto alto.
Encurralado pela maioria do Senado que quer aprovar o fim da 6×1, o senador declarou voto a favor para evitar que Lula surfe no resultado. Mas, ao mesmo tempo, está prometendo aos empresários que, assim que assumir, ele vai dar um cavalo de pau. É tipo um durex dupla face, tentando colar dos dois lados. Mas um dos dois vai ser prejudicado. Ou seja, vai haver uma bomba. E isso deve ser usado pela campanha de Lula, mostrando que a única chance de o fim da 6×1 continuar é se ele for eleito.
O ministro Nunes Marques está dobrando a instituição para as suas necessidades políticas do seu campo ideológico. O que Kassio fez? Ele dá a decisão e a represa. Ele não a leva para o plenário necessariamente. E depois faz isso quando ele quiser.
Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sakamoto-quaest-e-excelente-para-lula-e-obriga-flavio-a-descer-do-salto/

