Sakamoto: Vendida por Tarcísio, Sabesp vê alta em queixas do povo e lucros de donos

Protesto contra a privatização em sessão da Câmara Municipal de São Paulo. Foto: Karla Boughoff/Sintaema

Por Leonardo Sakamoto, no UOL.

Quase dois anos após ser privatizada pelo governador Tarcísio de Freitas, a Sabesp vê o número de reclamações da população sobre a qualidade do serviço aumentar ao mesmo tempo em que controladores e acionistas celebram a alta do lucro.

Levantamento de Adriana Ferraz, no UOL, usando dados da própria Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo, aponta que a média mensal de queixas cresceu 70% entre janeiro e março deste ano em comparação a 2025, passando de 1.041 para 1.770.

Na periferia da capital, a água tem sido cortada com mais frequência e chegado turva. No Campo Limpo, onde cresci e onde vivem meus pais, há áreas do bairro reclamando que a suspensão do fornecimento se tornou tão periódica quanto o pôr do sol.

Municípios têm aprovado CPIs para investigar as queixas da população. A queda na qualidade do serviço aliada ao baixo nível dos reservatórios que abastecem a capital têm levado ao questionamento se a empresa caminha para se tornar uma dor de cabeça semelhante à Enel, ex-AES, ex-Eletropaulo.

Coincidentemente, a alta de reclamações ocorre no mesmo momento em que a empresa fez a alegria dos investidores ao anunciar um aumento nos seus ganhos. Na quinta (7), a Sabesp divulgou um lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão entre janeiro e março de 2026 — um aumento de 32,3% em relação ao mesmo período de 2025.

privatização da Sabesp
Com Tarcísio ao meio, equipe do governo do estado de São Paulo comemora a privatização da Sabesp. Foto: Mônica Andrade/Governo do Estado de SP

Já o Ebitda ajustado da empresa cresceu 26% entre janeiro e março na comparação anual, registrando R$ 3,8 bilhões. O resultado seria um misto de ganhos de eficiência, demissão de funcionários e otimização de processos. Ou seja, o começo do ano foi bom para alguns e ruim para muitos.

Sakamoto afirma que não é, por princípio, inimigo de privatizações, mas questiona o sentido da venda ou concessão de uma empresa pública quando a mudança não garante serviço melhor à população.

O colunista lembra que cidades como Berlim e Paris, além de outras centenas principalmente na Europa, voltaram a gerir sistemas de água e esgoto nas últimas décadas após aumentos sistemáticos nas contas e investimentos considerados insuficientes pela iniciativa privada.

Ele afirma que defendeu, à época da venda da Sabesp, uma “cláusula de segurança”: se a qualidade do serviço caísse nas mãos da Equatorial, políticos que apoiaram a privatização deveriam assumir parte do prejuízo da população.

Para Sakamoto, o caso recoloca o debate sobre quando privatizações são válidas e quando não são. Segundo ele, serviços essenciais como água e luz exigem investimentos constantes e nem sempre compatíveis com a lógica de retorno financeiro para acionistas.

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sakamoto-vendida-por-tarcisio-sabesp-ve-alta-em-queixas-do-povo-e-lucros-de-donos/