O presidente Lula criticou nesta quarta-feira (17) a dinâmica de funcionamento do G7 após participar da reunião do grupo na França. Durante entrevista concedida em Genebra, na Suíça, após encontro com Valdecy Urquiza, ele afirmou que os países convidados chegam às discussões quando os principais documentos já estão definidos pelas nações integrantes do bloco.
Ao comentar sua participação na cúpula, o presidente declarou: “Está ficando quase que um samba de uma nota só. Quando os convidados chegam na reunião, o G7 já aprovou seus documentos”. Segundo ele, essa dinâmica limita a influência dos países convidados nas decisões debatidas durante o encontro.
Lula também informou que o Brasil não aderiu à maior parte das declarações apresentadas pelo grupo. De acordo com o presidente, o governo brasileiro endossou apenas três dos oito documentos produzidos durante a reunião, relacionados ao combate ao câncer, à proteção de crianças na internet e ao enfrentamento do narcotráfico.
“Não concordamos nos outros, porque o Brasil tem uma visão diferenciada”, afirmou o presidente durante a coletiva. O petista não detalhou quais pontos motivaram a discordância brasileira, mas destacou que a posição do país difere da adotada por parte dos integrantes do grupo.
Presidente Lula fala com a imprensa após encerramento do G7 https://t.co/5vCBFR2wPe
— Lula (@LulaOficial) June 17, 2026
Durante a entrevista, Lula também abordou as discussões envolvendo as relações entre o Ocidente e a China. O presidente mencionou críticas feitas pelos Estados Unidos e pela União Europeia ao governo chinês e afirmou que o Brasil não pretende tomar partido na disputa entre as potências.
“Não queremos entrar na briga dos dois. Para nós, a China é importante. Não tenho nenhuma queixa da China”, declarou. A China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e ocupa posição estratégica nas exportações brasileiras.
O presidente atribuiu ainda a ampliação da presença chinesa em regiões como América Latina e África à redução da atuação dos países ocidentais nesses mercados. Segundo Lula, houve uma mudança de prioridades por parte dos Estados Unidos e dos europeus nos últimos anos.
Na avaliação do chefe do Executivo, a União Europeia concentrou esforços no Leste Europeu, enquanto os Estados Unidos diminuíram sua presença em determinadas regiões, abrindo espaço para a expansão econômica e diplomática de Pequim em diversos países em desenvolvimento.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/samba-de-uma-nota-so-lula-contesta-modelo-de-decisoes-do-g7/

