O mercado de trabalho brasileiro apresentou, no segundo trimestre de 2025, realidades opostas entre Santa Catarina e Pernambuco, segundo dados da Pnad Contínua do IBGE. Enquanto o estado do Sul registrou a menor taxa de desemprego do país, 2,2%, também a mínima de sua série histórica, Pernambuco aparece com a maior taxa nacional, 10,4%, sendo o único acima de dois dígitos no período.
Em Santa Catarina, a economia diversificada é apontada como um dos fatores para o baixo nível de desocupação. O estado reúne forte presença industrial, produção agropecuária, serviços e turismo. Para o economista Lauro Mattei, da UFSC, essas características, somadas a políticas nacionais como o aumento do salário mínimo, impulsionam a geração de empregos. Apesar disso, ele alerta que ainda há 101 mil desempregados e destaca a taxa de informalidade de 24,7%, a menor do país, mas que ainda representa um em cada quatro trabalhadores sem carteira assinada.
No Nordeste, Pernambuco enfrenta dificuldades estruturais e históricas. O estado convive com uma economia menos diversificada, marcada por cadeias produtivas curtas, forte dependência de auxílios sociais e menor oferta de empregos formais. O sociólogo Sidartha Soria e Silva, da UFPE, lembra que o setor da construção civil, impulsionado por grandes obras no porto de Suape no passado, perdeu relevância na última década, com demissões e não absorção da mão de obra em outros setores.
O contexto histórico também ajuda a explicar o cenário. Especialistas como o economista Edgard Leonardo Lima apontam que a formação social marcada pela escravidão, monoculturas de exportação e concentração de renda ainda influenciam os índices de pobreza e desemprego. A menor taxa já registrada em Pernambuco foi de 7,4% em 2013, enquanto o pior momento ocorreu em 2021, no auge da pandemia, com 21,8%.


Na média nacional, o desemprego caiu para 5,8% entre abril e junho de 2025, a menor taxa da série e a primeira vez abaixo de 6%. Os dados revelam avanços no mercado de trabalho brasileiro, mas também reforçam a forte desigualdade entre regiões. “O Brasil é um país superdesigual, com discrepâncias regionais que explicam boa parte da situação”, resume o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence.
Apesar da melhora geral, os extremos de Santa Catarina e Pernambuco evidenciam que os desafios ainda são distintos: enquanto o Sul amplia oportunidades em diversos setores, o Nordeste segue pressionado por obstáculos históricos, estruturais e sociais que dificultam a redução consistente do desemprego.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/santa-catarina-tem-menor-desemprego-do-brasil-e-pernambuco-a-maior-aponta-ibge/

