O senador bolsonarista Hiran Gonçalves (PP-RR) é sócio da Carbon Cer, empresa que tem entre seus participantes a Alcazar Brasil, ligada à holding portuguesa Alcazar Holdings, do advogado Willer Tomaz. A companhia estrangeira é citada em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As informações são de reportagem de Jade Abreu, do Amado Mundo.
A Carbon Cer é uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) localizada no mesmo endereço da WT Administração, outra empresa de Willer Tomaz, em uma casa no Lago Sul, em Brasília. Hiran afirmou que desconhecia o compartilhamento do endereço entre as duas companhias.
O senador disse que a SPE não tem interesse financeiro e foi criada para dar destinação a um terreno herdado por ele, com o objetivo de transformá-lo em área de preservação ambiental. Questionado sobre a parceria, também afirmou desconhecer a Alcazar Holdings.
Segundo registros da Junta Comercial do Distrito Federal consultados pelo Amado Mundo, Lídia Maria Figueiredo Mazelli atuou como procuradora da Alcazar Holdings quando a sociedade com a Carbon Cer foi formalizada. Em reportagem anterior, ela foi identificada como empregada doméstica e dirigente de 14 empresas ligadas a Tomaz. Inicialmente, negou conhecer o advogado, mas depois admitiu que administrava empresas e disse ter dado a primeira versão para encerrar a conversa.

A assessoria de Tomaz afirmou que a Alcazar Holdings foi constituída em Portugal em 2023, tem o advogado como único sócio e consta regularmente de sua declaração de Imposto de Renda. Contestou a classificação de offshore e disse que a participação na Carbon Cer pertence à Alcazar Brasil desde junho de 2026. Segundo a defesa, a SPE administra direitos patrimoniais privados em litígio, sem relação com mandatos parlamentares ou recursos públicos.
Sobre Lídia, a defesa afirmou que ela nunca foi sócia da Carbon Cer nem da Alcazar. A nota a descreve como administradora de formação e informa que atuou como gestora, sem possuir cotas, até junho de 2026, quando foi substituída. O Amado Mundo não conseguiu localizá-la para comentar a reportagem.
A Polícia Federal também apontou a Alcazar Holdings como detentora de um terço do jato Legacy 650 de matrícula PP-NLR. A aeronave foi utilizada por Flávio e Tomaz em uma viagem entre os Estados Unidos e Brasília em janeiro de 2025. Os investigadores examinam registros bancários e viagens relacionados ao senador e a empresas do advogado; os envolvidos negam irregularidades.
A assessoria de Tomaz afirmou que Flávio jamais integrou a Alcazar ou a Carbon Cer, não teve poderes sobre contas da holding e nunca movimentou seus valores e ainda contestou a interpretação de um e-mail citado em relatório policial e informou que sua divulgação é alvo de medida judicial.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/senador-bolsonarista-tem-empresa-ligada-a-holding-citada-em-inquerito-sobre-flavio/

