Soldados dos EUA acusam generais de ignorar alertas de ataque do Irã que matou 6 militares no Kuwait

Vista dos destroços de uma escola onde alunos e professores perderam a vida no primeiro dia da guerra, em Minab, Hormozgan, Irã, em 5 de março de 2026. Imagem: reprodução

Soldados americanos que sobreviveram ao ataque de drones iranianos contra a base de Port Shuaiba, no Kuwait, acusam os comandantes responsáveis pela instalação de ignorar alertas de inteligência que apontavam o local como um alvo provável de Teerã. As denúncias foram reveladas em uma investigação publicada neste domingo (12) pelo The Washington Post.

O ataque ocorreu em 1º de março e matou seis militares do Exército dos Estados Unidos. A reportagem foi baseada em relatos de 17 pessoas, incluindo sobreviventes, testemunhas e oficiais que participaram das investigações internas.

Segundo os depoimentos, a liderança da base recebeu informações prévias de que Port Shuaiba poderia ser atacada por drones iranianos, mas não adotou medidas suficientes para proteger o efetivo.

Os militares também afirmam que o brigadeiro-general Clint Barnes deixou a área após o ataque, enquanto soldados sob seu comando permaneceram no local prestando socorro aos feridos e buscando sobreviventes.

Muitos dos entrevistados disseram sentir uma combinação de culpa e traição.

“Não fizemos o suficiente para ajudar aqueles que morreram”, afirmou um dos soldados ouvido pelo jornal.

Além das críticas à condução da crise, militares feridos relataram que o sistema de atendimento médico das Forças Armadas dos EUA falhou em oferecer assistência adequada após o bombardeio.

Investigação não puniu comandantes

De acordo com o Washington Post, autoridades americanas familiarizadas com a investigação interna do Exército afirmaram que nenhum comandante foi punido ou responsabilizado pelo ataque ou pela resposta da base à ofensiva iraniana.

Para o major Stephen Ramsbottom, que estava no prédio atingido, deixar de reconhecer os erros pode colocar outras tropas em risco.

“Se não aprendermos com esses erros, isso acontecerá novamente com outra unidade e eles acabarão na mesma situação em que estivemos”, afirmou ao jornal.

Base não estava preparada para drones iranianos

A investigação também aponta falhas estruturais na defesa de Port Shuaiba.

Segundo o relatório, a base não possuía sistemas capazes de interceptar os drones Shahed utilizados pelo Irã. Apenas aeronaves menores foram abatidas durante o ataque.

Os abrigos destinados aos militares também apresentavam problemas. De acordo com os relatos, muitos não tinham cobertura adequada contra explosões e estilhaços.

Um dos soldados afirmou ao Washington Post que todos sabiam que a instalação era um alvo potencial.

“Sabíamos que era um alvo identificado”, disse.

Fumaça sobe após ataque iraniano na área da Embaixada dos EUA na Cidade do Kuwait, em 2 de março de 2026. Imagem: reprodução

A reportagem afirma que o Irã teria escolhido atacar Port Shuaiba justamente porque a base não havia sido atingida durante a primeira escalada do conflito entre Washington e Teerã, em junho de 2025.

Alarmes foram ignorados

Os relatos indicam ainda que, durante dias de ataques sucessivos, diversos comandantes orientaram os soldados a permanecer dentro dos prédios, em vez de buscar abrigo.

Segundo os militares, o sinal de “tudo limpo” foi emitido apenas 30 minutos antes do ataque que matou os seis soldados.

Além disso, oficiais teriam impedido que militares dormissem nos bunkers, mesmo após passarem horas refugiados por causa dos bombardeios iranianos.

Exército defende liderança

O Washington Post informou que tanto o brigadeiro-general Clint Barnes quanto o major-general John Hinson responderam aos pedidos de comentário.

Já o Exército dos EUA evitou responder diretamente às acusações dos soldados e limitou-se a defender, de forma geral, as decisões tomadas pela liderança da unidade.

Em nota, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que os generais “auxiliaram imediatamente na evacuação do pessoal no local e trabalharam diretamente com as equipes em solo para estabelecer o controle inicial da situação, antes de serem evacuados por causa de seus próprios ferimentos”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/soldados-dos-eua-acusam-generais-de-ignorar-alertas-de-ataque-do-ira-que-matou-6-militares-no-kuwait/