Tarcísio demite o delegado bolsonarista Da Cunha após processo

Delegado Da Cunha em gravação compartilhada em seu perfil no Instagram. Foto: Reprodução

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União-SP), conhecido como Delegado Da Cunha, dos quadros da Polícia Civil paulista. A decisão saiu no Diário Oficial do Estado na quinta (3), após o governo considerar procedentes as acusações examinadas em um processo administrativo.

Da Cunha recebeu a pena de demissão a bem do serviço público, prevista no Estatuto da Polícia Civil de São Paulo para irregularidades graves. O governo também enquadrou a conduta em dispositivos sobre revelação intencional de informações sigilosas conhecidas em razão do cargo, com prejuízo ao Estado ou a particulares, e prática de ato definido em lei como improbidade.

O ato menciona um parecer e um despacho da Assessoria Jurídica do Governo, ambos de 1º de setembro, entre os documentos que fundamentaram a punição. O parlamentar não foi localizado para comentar a decisão.

Da Cunha estava licenciado da Polícia Civil e ganhou projeção nacional com vídeos de operações policiais publicados nas redes sociais. Ele se elegeu deputado federal em 2022 depois de acumular milhões de seguidores na internet.

Tarcísio de Freitas. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

Investigações sobre vídeos e histórico disciplinar

Em 2020, Da Cunha enfrentou uma acusação de obrigar a vítima de um sequestro e um criminoso a retornarem a um cativeiro desativado para reencenar e gravar uma ação policial. Ele admitiu ter produzido uma reprodução da ocorrência, mas a Justiça arquivou o processo relacionado ao episódio em 2024.

A Polícia Civil afastou Da Cunha das ruas em 2021 e recolheu sua arma e seu distintivo. Naquele período, a Corregedoria apurava suspeitas de uso da estrutura da corporação em gravações destinadas às redes sociais, e o delegado pediu licença não remunerada.

Já no mandato parlamentar, Da Cunha tornou-se réu por violência doméstica contra a ex-companheira Betina Grusiecki. O Ministério Público de São Paulo o denunciou por lesão corporal, ameaça e dano qualificado, acusações que ele nega.

Em fevereiro de 2026, a participação do deputado na reinauguração de uma Delegacia de Defesa da Mulher, na capital paulista, provocou críticas de entidades que atuam no combate à violência contra mulheres.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tarcisio-demite-o-delegado-bolsonarista-da-cunha-apos-processo/