O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União-SP), conhecido como Delegado Da Cunha, dos quadros da Polícia Civil paulista. A decisão saiu no Diário Oficial do Estado na quinta (3), após o governo considerar procedentes as acusações examinadas em um processo administrativo.
Da Cunha recebeu a pena de demissão a bem do serviço público, prevista no Estatuto da Polícia Civil de São Paulo para irregularidades graves. O governo também enquadrou a conduta em dispositivos sobre revelação intencional de informações sigilosas conhecidas em razão do cargo, com prejuízo ao Estado ou a particulares, e prática de ato definido em lei como improbidade.
O ato menciona um parecer e um despacho da Assessoria Jurídica do Governo, ambos de 1º de setembro, entre os documentos que fundamentaram a punição. O parlamentar não foi localizado para comentar a decisão.
Da Cunha estava licenciado da Polícia Civil e ganhou projeção nacional com vídeos de operações policiais publicados nas redes sociais. Ele se elegeu deputado federal em 2022 depois de acumular milhões de seguidores na internet.

Investigações sobre vídeos e histórico disciplinar
Em 2020, Da Cunha enfrentou uma acusação de obrigar a vítima de um sequestro e um criminoso a retornarem a um cativeiro desativado para reencenar e gravar uma ação policial. Ele admitiu ter produzido uma reprodução da ocorrência, mas a Justiça arquivou o processo relacionado ao episódio em 2024.
A Polícia Civil afastou Da Cunha das ruas em 2021 e recolheu sua arma e seu distintivo. Naquele período, a Corregedoria apurava suspeitas de uso da estrutura da corporação em gravações destinadas às redes sociais, e o delegado pediu licença não remunerada.
Já no mandato parlamentar, Da Cunha tornou-se réu por violência doméstica contra a ex-companheira Betina Grusiecki. O Ministério Público de São Paulo o denunciou por lesão corporal, ameaça e dano qualificado, acusações que ele nega.
Em fevereiro de 2026, a participação do deputado na reinauguração de uma Delegacia de Defesa da Mulher, na capital paulista, provocou críticas de entidades que atuam no combate à violência contra mulheres.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tarcisio-demite-o-delegado-bolsonarista-da-cunha-apos-processo/

