Tarifaço amplia queda nas exportações do Brasil aos EUA; entenda

Lula em anúncio do Plano Brasil Soberano. Foto: reprodução

As tarifas adicionais de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras entraram em vigor na quarta-feira (22) e atingem principalmente empresas com maior dependência do mercado estadunidese. Economistas avaliam que a medida não deve provocar uma crise generalizada na economia brasileira, mas tende a pressionar setores que terão dificuldade para substituir compradores no curto prazo.

Segundo o g1, o impacto ocorre em uma relação comercial menor do que no passado. Dados do Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que os EUA recebiam cerca de 19% das exportações brasileiras em 2005, fatia que caiu para 12% em 2025 e chegou a 9,4% no primeiro semestre de 2026.

No mesmo período, a China consolidou a posição de principal destino dos produtos brasileiros e passou a responder por mais de 30% das vendas externas. Para Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV, a perda de protagonismo dos EUA acompanhou a ascensão chinesa desde 2009 e a demanda do país asiático por commodities agrícolas e minerais.

Empresas afetadas enfrentam obstáculos para trocar de mercado

Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior indicam que 57% das exportações brasileiras para os EUA permaneceram fora das novas tarifas. Ao todo, 2,4 mil empresas foram diretamente afetadas, e 74% delas já vendem para outros países; ainda assim, cerca de 18% das exportações brasileiras devem sofrer incidência efetiva das sobretaxas.

Donald Trump, presidente dos EUA, anunciando o tarifaço. Foto: reprodução

Roberto Dumas, professor do Insper especializado em economia chinesa, afirma que commodities tendem a encontrar novos destinos com mais facilidade por serem produtos padronizados e negociados globalmente. Bens industrializados, porém, dependem de exigências específicas de cada mercado. “Calçados, por exemplo, são muito mais difíceis de redirecionar”, disse.

Marcos Crivelaro, economista da Fundação Vanzolini, classificou as tarifas como “um choque para alguns segmentos da economia, mas não uma crise estrutural”. Ele afirma que abrir um mercado totalmente novo pode levar de 12 a 36 meses, por envolver negociações sanitárias, homologações técnicas, adaptação logística, fornecedores e contratos internacionais.

Entre os destinos com maior potencial, Crivelaro cita Índia, países do Sudeste Asiático, Oriente Médio e economias africanas como Angola, África do Sul, Nigéria e Egito. Em 2025, as exportações brasileiras chegaram ao recorde de US$ 348,7 bilhões, com mais de 40 mercados no maior volume de compras da série histórica; os embarques para a China cresceram 6%, para a União Europeia, 3,2%, e para a Argentina, 31,4%, segundo o MDIC.

Fabrizio Panzini, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Amcham Brasil, afirma que a troca de destinos não resolve sozinha o problema porque cerca de 80% das vendas brasileiras aos EUA são produtos industriais, enquanto outros mercados compram mais commodities. A CNI avaliou que a sobretaxa aumenta a insegurança para empresas dos dois países, e seu presidente, Ricardo Alban, afirmou que 20 dos 27 estados reduziram exportações ao mercado estadunidese no primeiro semestre.

Especialistas também apontam o Custo Brasil como obstáculo para ampliar vendas de manufaturados. Estimativa do Movimento Brasil Competitivo em parceria com a FGV calcula em R$ 1,7 trilhão por ano, ou 19,5% do PIB, o peso de problemas tributários, burocráticos, logísticos e jurídicos.

No Plano Plurianual 2024-2027, o governo definiu como meta elevar as exportações de manufaturados de média-alta e alta intensidade tecnológica para cerca de US$ 54,3 bilhões até 2027; a CNI cita o setor de madeira como um dos mais expostos, com cerca de 45% das vendas externas destinadas aos EUA e aproximadamente 80% dos embarques sujeitos às novas tarifas.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tarifaco-eua-empresas-brasileiras-exportacoes/