“Tariflávio” volta a crescer após viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos

O pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) conversando com o senador republicano Shane Jett. Foto: Reprodução/Redes Sociais

A viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos para participar da audiência do USTR sobre o tarifaço contra produtos brasileiros reforçou, nas redes, a narrativa de desgaste contra o senador. Segundo análise da coluna Narrativas em Disputa, do UOL, a tentativa de apresentar o pré-candidato como defensor do Brasil acabou sendo recebida em grupos públicos de mensageria como mais um capítulo do rótulo “Tariflávio”.

O monitoramento aponta que, entre as mensagens que tomaram posição sobre a viagem, o tom desfavorável a Flávio Bolsonaro ficou perto de 80%, contra pouco mais de 20% de defesa. A principal linha de ataque foi a acusação de entreguismo e traição, com expressões como “vassalagem” e “Brasil colônia”.

Flávio Bolsonaro foi a Washington para falar na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. Antes disso, o senador enviou documento ao órgão pedindo a suspensão da medida e a exclusão do Pix da disputa.

A estratégia, porém, não produziu apenas o efeito pretendido pela pré-campanha. Segundo a análise, a associação feita por Flávio Bolsonaro entre Lula e o Banco Master reacendeu uma frente tóxica para o próprio bolsonarismo: o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e o papel do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento da produção. No levantamento, o tema Master aparece como o assunto mais negativo do material monitorado.

Flávio Bolsonaro
O senador e pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O Pix, que deveria ser usado como ativo da viagem, também entrou em terreno minado. Foi registrado o crescimento de uma contranarrativa segundo a qual Flávio Bolsonaro, na prática, prejudicaria o sistema brasileiro ao sugerir limites à sua expansão em favor de bandeiras de cartão dos Estados Unidos.

O resultado foi uma ofensiva que chegou às redes com aparência de defesa. Antes mesmo de uma decisão final do governo Donald Trump sobre a tarifa, consolidou-se a leitura de que Flávio Bolsonaro tenta se descolar de uma crise à qual já estava associado, mas sem conseguir controlar o desfecho.

O episódio também reacendeu suspeitas e ataques sobre supostos planos de entrega de ativos estratégicos brasileiros, como Petrobras e pré-sal, além de especulações sobre influência americana em uma eventual transição de governo. Para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a viagem abriu três frentes simultâneas de desgaste: soberania nacional, acusação de traição e caso Master.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tariflavio-volta-a-crescer-apos-viagem-de-flavio-bolsonaro-aos-estados-unidos/