Tentativa de agradar e alerta sobre Taiwan: como foi o encontro de Trump e Xi Jinping

Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, da China. Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping se reuniram nesta quinta-feira (14), no Grande Salão do Povo, em Pequim, em um encontro marcado por gestos amistosos, disputas comerciais e alertas sobre Taiwan. A reunião durou cerca de duas horas e quinze minutos e ocorreu durante a visita de Estado de Trump à China.

Antes da conversa reservada, os dois líderes trocaram cumprimentos em clima cordial. Em uma tentativa de aproximação forçada, Trump ressaltou a suposta relação pessoal com Xi e afirmou que os dois países poderiam construir um “futuro fantástico” juntos.

“Nós construímos uma relação fantástica. Nós nos demos bem. Quando houve dificuldades, nós as resolvemos. Eu ligava para você, e você ligava para mim, e sempre que tínhamos um problema —as pessoas não sabem disso— sempre que tínhamos um problema, nós o resolvíamos muito rapidamente”, disse o presidente estadunidense.

Xi, por sua vez, adotou tom mais cauteloso. O líder chinês afirmou que China e Estados Unidos devem evitar a chamada “Armadilha de Tucídides”, conceito usado na diplomacia para descrever o risco de guerra entre uma potência dominante e outra em ascensão.

“A China e os Estados Unidos têm a ganhar com a cooperação e a perder com o confronto. Devemos ser parceiros, não rivais. Nós devemos ajudar um ao outro a prosperar, e prosperar juntos”, disse Xi.

Xi recebendo Trump na China. Foto: Brendan Smialowski/AFP

O ponto mais sensível da reunião foi Taiwan. Durante a conversa a portas fechadas, Xi reiterou que Washington deve lidar com a questão de forma cuidadosa. A fórmula segue a linha adotada pela diplomacia chinesa nos dias anteriores à visita.

O chanceler Wang Yi já havia afirmado ao secretário de Estado, Marco Rubio, que Taiwan é o tema mais delicado da relação bilateral. Horas depois da reunião, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse que os Estados Unidos devem ter “cuidado extra ao lidar com a questão Taiwan”. Ele não respondeu se Pequim pediu a suspensão da venda de armas estadunidenses à ilha.

Trump chegou a Pequim na noite de quarta-feira (13) acompanhado de uma comitiva de CEOs. O objetivo central da viagem é ampliar negócios e reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos com a China, que chegou a US$ 202 bilhões no ano passado.

Além da pauta econômica, Trump e Xi também trataram da Guerra do Irã, segundo a chancelaria chinesa. Havia expectativa de que o presidente estadunidense tentasse convencer Xi a pressionar Teerã pela reabertura do Estreito de Ormuz, mas as informações divulgadas até agora não confirmam se esse ponto foi discutido em detalhe.

Do lado chinês, os temas mais esperados eram os controles de exportação impostos por Washington sobre semicondutores e a questão Taiwan. A visita, inicialmente prevista para abril, foi adiada por causa do conflito no Oriente Médio, que ainda paira sobre a agenda dos dois líderes.

Depois do encontro no centro político de Pequim, Trump e Xi seguiram para o Templo do Céu, um dos principais cartões-postais da capital chinesa. O local tem forte simbolismo em visitas de Estado, por ser o espaço onde antigos imperadores pediam bênçãos por boas colheitas.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tentativa-de-agradar-e-alerta-sobre-taiwan-como-foi-o-encontro-de-trump-e-xi-jinping/