O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou nesta quinta (25) um habeas corpus da defesa de Deolane Bezerra e manteve a prisão preventiva da influenciadora e advogada em uma investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Deolane está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, desde 21 de maio, quando a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram a operação. Ela nega as acusações e afirma que recebeu R$ 24 mil de um cliente por um serviço prestado como advogada.
A defesa já havia sofrido uma derrota em maio, quando o TJ de São Paulo rejeitou um pedido liminar. No Supremo Tribunal Federal, o ministro Flávio Dino também negou um pedido de prisão domiciliar ao afirmar que não identificou “manifesta ilegalidade” na prisão preventiva.
A Justiça decretou a prisão preventiva após apontar risco de fuga. Segundo o processo, Deolane retornou ao Brasil na véspera da operação depois de passar semanas na Europa, enquanto integrantes da família de Marcola deixaram o país durante as investigações; o nome dela chegou a entrar na Difusão Vermelha da Interpol.

Investigação começou com bilhetes encontrados em presídio
A investigação começou em 2019, quando agentes penitenciários encontraram bilhetes manuscritos escondidos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material continha ordens internas do PCC, contatos de integrantes da facção e referências a ações violentas contra servidores públicos.
Os investigadores afirmam que os documentos levaram à abertura de três inquéritos e permitiram mapear a estrutura financeira da organização criminosa. A análise dos manuscritos levou a uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau, próxima ao complexo penitenciário, apontada como empresa de fachada para movimentar dinheiro da facção.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, a transportadora fazia repasses para contas de terceiros para ocultar a origem do dinheiro do PCC, e duas dessas contas estariam em nome de Deolane.
O delegado Edmar Caparroz afirmou: “O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado”.
A Polícia Civil afirma que o principal elo entre Deolane e Marcola seria Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe do PCC, que mora em Madri, na Espanha.
“Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem e capitais gerido pela organização criminosa”, diz um relatório policial. O documento também diz que ela não teria sido “batizada” formalmente na facção e não possuiria apelido no PCC.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tj-sp-mantem-deolane-presa-investigacao-lavagem-dinheiro-pcc/

