O governo dos Estados Unidos disparou contra um petroleiro com bandeira iraniana nesta quarta-feira (6), em mais um capítulo da escalada militar no Oriente Médio. O ataque ocorreu poucas horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, lançar um novo ultimato ao Irã: aceitar um acordo para encerrar a guerra ou enfrentar uma nova ofensiva militar “em um nível e intensidade muito maiores”.
Segundo o Comando Central dos EUA, caças americanos dispararam várias vezes contra a embarcação e “desativaram o leme do navio” quando ele tentava romper o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos.
A tensão ocorre em meio a negociações incertas entre Washington e Teerã para tentar encerrar o conflito iniciado após a ofensiva conjunta de EUA e Israel contra o Irã em fevereiro.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a operação militar chamada “Epic Fury” poderá terminar caso o Irã aceite os termos negociados.
“Se eles não concordarem, os bombardeios começam novamente, e serão, infelizmente, em um nível e intensidade muito maiores do que antes”, escreveu.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país está “preparado para todos os cenários”.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Washington de tentar forçar a rendição do país por meio de bloqueio naval, pressão econômica e guerra midiática.
“O inimigo busca destruir a coesão do país para nos obrigar à rendição”, declarou.

Estreito de Ormuz segue como epicentro da crise
O centro da disputa continua sendo o estratégico Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de petróleo.
Mais de 800 navios e cerca de 20 mil tripulantes seguem retidos na região após ameaças iranianas de usar minas marítimas, drones e mísseis contra embarcações comerciais.
Na terça-feira, Trump havia suspendido temporariamente a operação naval americana chamada “Project Freedom”, criada para escoltar navios pelo estreito. Segundo ele, a decisão ocorreu após pedidos do Paquistão e de outros mediadores internacionais.
Autoridades paquistanesas afirmaram ao jornal The Guardian que um acordo preliminar pode surgir nas próximas 48 horas, incluindo um cessar-fogo temporário e a reabertura do Estreito de Ormuz por pelo menos 60 dias.

China entra no tabuleiro diplomático
A crise também ganhou dimensão geopolítica maior com a expectativa da visita de Trump a China na próxima semana.
Analistas avaliam que Washington deseja apresentar algum avanço diplomático antes da viagem e espera que Pequim use sua influência econômica sobre Teerã para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz.
O governo chinês já defendeu publicamente um cessar-fogo abrangente.
Apesar das negociações, autoridades paquistanesas admitem que a desconfiança entre EUA e Irã continua elevada e que o cenário segue indefinido.

Petróleo cai após rumores de acordo
A possibilidade de um entendimento fez o preço internacional do petróleo despencar nesta quarta-feira, depois de fortes altas registradas no início da semana.
O barril do Brent caiu em direção aos US$ 101 após rumores de que um acordo poderia permitir novamente o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico.
O aumento dos combustíveis se tornou um problema político para Trump, especialmente diante das eleições legislativas americanas previstas para novembro.
Enquanto isso, o conflito permanece em impasse: o Irã sofre perdas econômicas severas, mas os EUA enfrentam pressão interna e internacional diante da disparada do petróleo e do risco de ampliação da guerra no Oriente Médio.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-ameaca-ira-com-nova-onda-de-bombardeios-apos-ataque-dos-eua-a-petroleiro-iraniano/

