O governo de Donald Trump planeja enviar dois altos funcionários do Departamento de Estado a Brasília para levantar dúvidas sobre a imparcialidade e a integridade do sistema eleitoral brasileiro antes da eleição presidencial de 4 de outubro, revelou o Washington Post neste sábado (25).
A reportagem ouviu quatro autoridades americanas e brasileiras familiarizadas com os preparativos da viagem. A iniciativa amplia a tensão diplomática entre Washington e Brasília em meio ao acirramento político no Brasil.
A delegação deve ser formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente de Estado, e Samuel Samson, secretário-adjunto assistente do Departamento de Estado. Os dois aparecem como os nomes escalados para a missão no Brasil.
O Departamento de Estado confirmou que Barnes e Samson viajarão ao país, mas não detalhou a agenda dos diplomatas. O órgão também não respondeu aos questionamentos sobre eventuais preocupações da administração Trump com a integridade das eleições brasileiras.

Brasil avalia reação à missão sobre urnas eletrônicas
Autoridades ouvidas pelo jornal afirmam que os emissários deverão questionar o sistema brasileiro de votação eletrônica, usado há três décadas. Integrantes do governo brasileiro avaliam que os representantes americanos também poderão se reunir com críticos das urnas e elaborar um relatório para colocar em dúvida a credibilidade do processo eleitoral.
Dois altos diplomatas brasileiros disseram que receberam informações recentes sobre a missão e classificaram a iniciativa como incompatível com a relação entre duas democracias. Um deles afirmou que o governo pretende “proteger nosso sistema de votação” e estuda medidas para impedir a entrada dos enviados caso a viagem tenha como objetivo interferir no processo eleitoral.
O sistema eletrônico de votação brasileiro funciona desde 1996 e fica sob responsabilidade do Tribunal Superior Eleitoral. Nesse período, as urnas passaram por testes públicos de segurança e por acompanhamento de missões nacionais e internacionais de observação eleitoral.
Observadores internacionais que acompanharam eleições brasileiras desde 2018 concluíram que o sistema é seguro, confiável e capaz de produzir resultados legítimos. A reportagem também cita manifestações recentes do senador Flávio Bolsonaro contra as urnas e lembra que Jair Bolsonaro tentou contestar o resultado de 2022 e incentivar uma ruptura institucional, sem sucesso; até o momento, governo brasileiro e TSE não haviam divulgado manifestação oficial sobre o caso.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-enviar-representantes-questionar-eleicoes-brasil-washington-post/

