Trump se prepara para não reconhecer vitória de Lula, diz ex-assessor

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

Nick Zimmerman, ex-diretor para Brasil e Cone Sul do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, afirmou que Donald Trump pode não reconhecer o resultado das eleições brasileiras de 2026 se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer por uma margem apertada. Para o pesquisador sênior do Inter-American Dialogue, a medida abriria espaço para novas pressões dos Estados Unidos sobre o Brasil.

Em entrevista ao podcast “A Máquina”, Zimmerman disse esperar do governo Trump uma postura oposta à adotada por Joe Biden diante da credibilidade do sistema eleitoral brasileiro. “Não descarto a possibilidade de o governo Trump não reconhecer o resultado”, afirmou ao tratar de uma eventual vitória estreita de Lula.

Na avaliação do ex-assessor, Trump poderia usar esse não reconhecimento como base para impor sanções e outras pressões econômicas a partir de 2027. Zimmerman classificou a atual fase da relação bilateral como a pior desde o golpe de 1964 e disse que os danos podem ser difíceis de reparar no médio prazo.

Ele atribuiu ao governo americano tentativas de influenciar a disputa brasileira, citando o tarifaço aplicado no ano anterior, as sanções pela Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Zimmerman afirmou que as iniciativas ajudam politicamente a família Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução

Ex-assessor aponta interesse dos EUA em minerais e infraestrutura

Zimmerman disse que Washington busca maior acesso a minerais críticos e terras raras no Brasil, além de atuar contra regulações sobre empresas de tecnologia americanas. Para ele, o governo Trump também deseja ampliar o alinhamento político à direita nas Américas.

Se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, o pesquisador prevê negociações sobre acordos comerciais recíprocos, usados por Trump em outros países sob pressão de tarifas. Ele avalia que esse caminho poderia reduzir parte das tarifas impostas ao Brasil e ampliar a cooperação bilateral em segurança pública.

O ex-integrante da Casa Branca afirmou, porém, que um eventual governo Flávio enfrentaria cobranças americanas para restringir investimentos chineses em infraestrutura e no setor de minerais críticos. Zimmerman comparou a possível pressão à tentativa do primeiro governo Trump de barrar a Huawei da rede brasileira de 5G, sem sucesso durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Sobre a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, Zimmerman considerou improvável uma operação militar dos EUA em território brasileiro. Ele alertou, contudo, que bancos brasileiros podem enfrentar sanções caso autoridades americanas concluam que instituições financeiras não adotaram medidas adequadas contra eventual lavagem de dinheiro por essas facções.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-nao-reconhecer-vitoria-apertada-lula-nick-zimmerman/