O turismo internacional em Cuba entrou em colapso e passou a deixar hotéis vazios em meio ao agravamento da crise econômica e às novas pressões dos Estados Unidos. Dados divulgados pelo instituto nacional de estatísticas indicam que o país recebeu cerca de 1,8 milhão de visitantes em 2025, o menor volume em mais de duas décadas, desconsiderando os anos da pandemia.
O número representa queda de 18% em relação a 2024 e recuo de 62% na comparação com o recorde de 4,7 milhões de turistas registrado em 2018. A retração ocorre justamente quando o turismo, uma das principais fontes de moeda forte da ilha, deveria amortecer os efeitos da recessão prolongada, marcada por apagões frequentes e escassez de bens básicos.
Mesmo antes das novas medidas de Washington, o setor já dava sinais de esgotamento. O governo cubano investiu pesadamente em novos hotéis, inclusive de alto padrão, apesar da baixa demanda interna. Um exemplo é a Torre K, edifício de luxo com 42 andares inaugurado em Havana, em um contexto em que a taxa média de ocupação hoteleira ficou pouco acima de 20% no país.
A situação se deteriorou ainda mais após 3 de janeiro, quando os Estados Unidos interromperam o fornecimento de combustível venezuelano para Cuba e passaram a ameaçar sanções contra países que auxiliem energeticamente a ilha. O presidente Donald Trump também endureceu regras que dificultam viagens de cidadãos americanos e ampliou restrições a estrangeiros que visitam Cuba e depois pretendem entrar nos EUA.


O impacto é sentido até em resorts de praia, tradicionalmente mais protegidos. A canadense Krista Craig relatou que o hotel em que costuma se hospedar em Cayo Coco, normalmente lotado com cerca de 350 turistas, recebeu menos de 100 visitantes. “Foi de sempre cheio para praticamente vazio”, disse à agência Bloomberg.
Ela contou que levou medicamentos e alimentos para funcionários do local, que enfrentam dificuldades crescentes fora das áreas turísticas. Apesar das dúvidas sobre o destino do dinheiro gasto em viagens, Craig e outros turistas afirmam que continuam indo à ilha por solidariedade à população.
“Os trabalhadores do hotel sustentam famílias extensas. Eles mal conseguem chegar ao fim do mês e não sobreviveriam se o turismo continuar a cair”, afirmou. Canadenses seguem como o principal grupo de visitantes, seguidos por cubanos que vivem no exterior e turistas russos.
Especialistas apontam que Cuba se tornou uma exceção negativa no Caribe, enquanto destinos como República Dominicana e Porto Rico batem recordes de visitação. Segundo James Hepple, da Tourism Analytics, o modelo cubano não se sustenta.
“Os hotéis podem estar em praias lindas, mas o modelo de negócios não funciona”, disse, citando excesso de oferta, controle estatal rígido, queda na qualidade dos serviços e aumento de pequenos crimes em meio à falta de recursos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/turismo-em-cuba-entra-em-colapso-apos-cerco-de-trump/

