Israel ainda não autorizou a entrada de equipamentos para drenar uma bacia de águas residuais em Gaza, afirmou o Unicef nesta sexta-feira (16). O impedimento mantém o risco de inundação de áreas residenciais por água contaminada. A denúncia consta de um comunicado do órgão das Nações Unidas, divulgado em meio a novos alertas sobre a desnutrição infantil no território palestino.
Segundo o Unicef, a bacia de Sheikh Radwan poderia ser drenada em duas semanas, mas o equipamento necessário não recebeu autorização israelense para entrar. Com a aproximação das chuvas, a agência alerta para consequências potencialmente fatais para crianças e suas famílias.
A ameaça sanitária se soma à interrupção da entrada de mercadorias comerciais, uma fonte essencial de alimentos e outros produtos. Segundo a Reuters, Israel informou na quarta-feira (14) que essas cargas haviam deixado de entrar em Gaza e atribuiu a situação a uma disputa sobre impostos entre comerciantes locais e o Hamas.
Os indicadores nutricionais mostram a dimensão da vulnerabilidade infantil. Apenas uma em cada três crianças com menos de dois anos alcança a diversidade alimentar mínima, segundo o relatório citado pela Reuters. Um levantamento realizado pelo Unicef em junho também identificou desnutrição crônica em uma de cada oito crianças menores de cinco anos.

Em entrevista a jornalistas em Genebra, o porta-voz Ricardo Pires cobrou um fluxo previsível e contínuo tanto de ajuda humanitária quanto de mercadorias comerciais. Advertiu que as crianças sofrerão os efeitos se a interrupção não for resolvida e que as famílias não podem voltar a ficar sem os suprimentos e serviços de que necessitam.
O Unicef reconhece que o cessar-fogo e a ampliação da entrada de alimentos permitiram reduzir a desnutrição aguda e enfrentar a fome, confirmada por um monitor internacional de segurança alimentar em agosto de 2025. Esses avanços, porém, continuam frágeis. A recuperação depende da manutenção do abastecimento em um território submetido a três anos de guerra, deslocamentos e severas restrições israelenses à ajuda.
Cerca de 800 mil crianças continuam deslocadas, a maioria em barracas ou edifícios inseguros, às vésperas de mais um inverno. Mesmo com a redução dos combates de grande escala, ataques, novos deslocamentos e a destruição disseminada mantêm a população civil exposta. A precariedade dos abrigos e dos serviços básicos dificulta uma recuperação duradoura.
No comunicado, o Unicef cobrou das autoridades israelenses a liberação de materiais e equipamentos para recuperar a infraestrutura e os serviços essenciais. A agência também pediu a efetivação do cessar-fogo e proteção às crianças: “As crianças de Gaza sofreram demais, por tempo demais”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/unicef-israel-impede-entrada-de-equipamentos-para-conter-risco-de-inundacao-em-gaza/


