USP nega vínculo com diretor de ONG sionista após ataque a Thiago Ávila

Samuel Feldberg se apresenta como docente da USP. Foto: Divulgação

A Universidade de São Paulo (USP) divulgou nota afirmando que Samuel Feldberg não integra atualmente o quadro de docentes da instituição. O esclarecimento ocorreu após reclamações encaminhadas à Ouvidoria da universidade sobre informações divulgadas pelo diretor acadêmico da StandWithUs Brasil em redes sociais e no currículo da Plataforma Lattes.

Segundo a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Feldberg teve vínculo encerrado em 2017 com o Programa de Pós-Graduação em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades.

Na nota, a USP afirmou que “em resposta a reclamações recebidas pela Ouvidoria institucional, a direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), depois de consulta com a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades, esclarece que o professor Samuel Feldberg nunca integrou o quadro de docentes desta Faculdade, e que seu vínculo como colaborador com esse programa de pós-graduação foi encerrado em 2017″.

A manifestação ocorreu dias após declarações feitas por Feldberg no podcast Levante sobre o ativista brasileiro Thiago Ávila, capturado por Israel em águas internacionais durante participação em uma flotilha humanitária com destino a Gaza.

Durante o programa, Feldberg afirmou que Israel foi “extremamente benevolente” ao abordar o grupo e declarou: “Eu tenho a sensação de que a ação israelense é extremamente benevolente. Se eu fosse o responsável por essa ação, eu garantiria que, na próxima vez que uma flotilha como essa partisse de qualquer lugar em direção a Israel, ela seria a última.”

A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) divulgou nota classificando a declaração como defesa de violência contra ativistas humanitários. O presidente da entidade, Ualid Rabah, afirmou que a fala indicaria apoio a medidas extremas contra integrantes da flotilha.

“Caso não esteja se referindo à aplicação da pena capital àqueles não-judeus que se solidarizam com a Palestina, o racista Feldberg está, no mínimo, defendendo ataque mortal a esta flotilha — em suas palavras, o regime de ‘israel’ foi ‘benevolente’ ao apenas sequestrar os ativistas humanitários e submetê-los à tortura em suas masmorras — e às eventualmente vindouras”, declarou.

Thiago Ávila foi detido por Israel no dia 29 de abril enquanto participava de ações ligadas ao envio de ajuda humanitária para Gaza. Segundo sua defesa, as acusações envolvendo supostas ligações com grupos terroristas são negadas. O caso provocou repercussão internacional e mobilizou organizações de direitos humanos.

Os comentários feitos no podcast ocorreram durante conversa com os jornalistas Caio Blinder e Felipe Moura Brasil. Durante o episódio, os participantes chamaram Ávila de “marketeiro da flotilha” e se referiram a Feldberg como “general linha dura”.

A advogada e jornalista Sara Vivacqua afirmou, em artigo publicado pelo DCM, que a declaração deveria ser analisada pelas autoridades brasileiras. Segundo ela, “Feldberg deveria ser investigado segundo a legislação brasileira. A StandWithUs se apresenta como uma ‘instituição educacional’ voltada ao combate ao antissemitismo e à defesa de Israel. No entanto, a entidade buscaria interferir na atividade legislativa no Congresso Nacional brasileiro por meio de pressão direta sobre parlamentares do campo progressista”.

A StandWithUs Brasil se apresenta como organização educacional voltada ao combate ao antissemitismo e à defesa de Israel. Até o momento, a entidade não divulgou novo posicionamento público sobre a nota da USP nem sobre as reações às declarações de Samuel Feldberg.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/usp-nega-vinculo-com-diretor-de-ong-sionista-apos-ataque-a-thiago-avila/