Venezuela: 100 deportados somem após hotel desabar

Edifícios em Caraballeda, no estado venezuelano de La Guaira. Foto: Reprodução

Cerca de 100 venezuelanos deportados dos Estados Unidos seguem desaparecidos após o Hotel Santuario La Llanada desabar durante os terremotos de 24 de junho em La Guaira, uma das regiões mais atingidas pelos tremores na Venezuela. O grupo havia chegado ao país em um voo procedente de Miami.

A aeronave transportava 146 venezuelanos deportados, entre eles 19 mulheres e sete crianças. Após desembarcarem no principal aeroporto venezuelano, eles foram levados ao hotel para exames médicos e outros procedimentos de recepção antes de voltar para suas casas.

Familiares relataram à Reuters que as autoridades entregaram uma lista com 32 nomes de sobreviventes. As autoridades venezuelanas ainda não divulgaram um balanço oficial de mortos, sobreviventes ou desaparecidos entre os passageiros do voo.

O Hotel Santuario La Llanada era administrado pelo programa governamental Grande Missão Volta à Pátria, responsável por receber cidadãos deportados ou repatriados. Sobreviventes disseram à Reuters que celulares e documentos foram recolhidos temporariamente durante os procedimentos de chegada.

Famílias cobram acesso a informações e à área do desabamento

Parentes questionam por que os deportados permaneceram no hotel em vez de serem liberados logo após a chegada ao país. Eles afirmam que a retenção de celulares e documentos dificultou a identificação de sobreviventes e vítimas depois do desabamento.

Um sobrevivente contou à BBC que escapou porque ficou alguns minutos a mais em um prédio anexo enquanto tentava fazer uma ligação telefônica. Quando os terremotos começaram, ele ainda não havia entrado no edifício principal, que desabou.

Familiares também afirmam que agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional bloquearam o acesso ao local. Um avô que procurava pelo neto disse à BBC que um funcionário afirmou que não havia sobreviventes entre os escombros.

Sobreviventes relataram à BBC que o resgate inicial partiu principalmente dos próprios deportados e que os primeiros socorros demoraram horas para chegar. Alguns disseram que agentes priorizaram o resgate de colegas do serviço de inteligência.

As restrições também atingiram jornalistas. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela afirmou que profissionais enfrentam limitações para acessar áreas de busca em La Guaira e hospitais que recebem vítimas dos terremotos.

A Grande Missão Volta à Pátria informou em redes sociais que abriu canais de atendimento para familiares e disse que presta informações diretamente às pessoas que procuram o serviço. À Reuters, o programa enviou mensagem de solidariedade às vítimas, mas não respondeu por que os deportados foram levados ao hotel.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou à BBC que o voo chegou em segurança à Venezuela e que, após a entrega dos deportados às autoridades venezuelanas, eles deixaram de estar sob responsabilidade do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas. O governo americano não comentou o desabamento nem a situação dos passageiros.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/venezuela-deportados-desaparecidos-hotel-desabou-terremotos/