O ativista brasileiro Thiago Ávila afirmou nesta quinta-feira (21) que participantes da Flotilha Global Sumud, interceptada por Israel na última segunda-feira (18), foram submetidos a tortura, humilhações e violência sexual durante a detenção. A missão tentava romper o bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária à população palestina.
“Não foi um, não dois, não três. Há muitos casos de violência sexual contra os nossos participantes. Estamos falando de um estado de genocídio que faz prazer na violência”, disse Ávila em vídeo publicado nas redes sociais. Segundo ele, as agressões atingiram palestinos e também ativistas estrangeiros, incluindo brasileiros.
Thiago Ávila já havia participado de outra flotilha humanitária rumo a Gaza, também interceptada por Israel. Na ocasião, antes de ser deportado ao Brasil, o ativista relatou ter sofrido tortura em uma prisão israelense.
Aém das violências sexuais, o brasileiro também falou das agressões físicas cometidas pelos militares sionistas: “Muitas pessoas estão com as costelas quebradas, muitas pessoas com ossos quebrados nos braços, na clavícula. Estamos falando de monstros. Estamos falando de um estado genocida, que tem prazer na violência, em torturar pessoas”, reforçou.
“Todos aqueles terroristas governando um estado colonial ocupante precisam ser parados. Estamos levando isso para o que for necessário. Todas as 428 pessoas aqui estamos fazendo um relatório para tornar tudo isso em casos legais e vai para o Tribunal Penal Internacional”, disse Ávila sobre as próximas ações da Flotilha.
Após a abordagem em águas internacionais próximas a Chipre, 428 ativistas foram levados ao porto de Ashdod e depois à prisão de Ktzi’ot. Relatos da ONG Adalah e de advogados voluntários apontam choques elétricos, tiros de borracha, posições de estresse prolongadas, superlotação, falta de colchões e humilhações contra os detidos.
🚨 Warning: distressful content!
Those genocidal maniacs RAPED humanitarian activist trying to take food and medicine to children in Gaza! And the worst is that even this they escalate to much worse forms with the 9000 Palestinians in israeli dungeons (almost 400 children)! pic.twitter.com/a0yuMuilvQ
— Thiago Ávila (@thiagoavilabr) May 21, 2026
A ativista australiana Juliet Lamont afirmou ter sido estuprada e agredida fisicamente. Outros participantes relataram fraturas e choques elétricos. Segundo os relatos reunidos por entidades de direitos humanos, os abusos teriam sido aplicados de forma sistemática para intimidar os integrantes da flotilha e desestimular novas missões humanitárias.
A crise ganhou novo peso depois que o ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, divulgou vídeos de ativistas algemados, vendados e ajoelhados. Nas imagens, ele ironiza os detidos: “É assim que recebemos apoiadores do terrorismo. Bem-vindos a Israel”. A publicação provocou reação internacional.
O governo brasileiro convocou nesta quinta-feira a chefe da embaixada de Israel em Brasília, Rasha Athamni, para cobrar explicações sobre a conduta de Ben-Gvir.
Em nota, o Itamaraty afirmou: “O governo brasileiro deplora o tratamento degradante e humilhante dispensado por autoridades israelenses, em particular pelo Ministro da Segurança Interna de Israel, Itamar Ben-Gvir, aos participantes da Flotilha Global Sumud. Ao reiterar seu repúdio à interceptação em águas internacionais das embarcações e à detenção de seus participantes — ambas ações ilegais —, o Brasil demanda libertação imediata de todos os ativistas detidos, incluindo de quatro cidadãos brasileiros, assim como pleno respeito a seus direitos e à sua dignidade, em linha com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado de Israel, a exemplo da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes”.
Os brasileiros Ariadne Teles, Beatriz Moreira, Thainara Rogério e Cássio Pelegrini foram deportados posteriormente. Durante a detenção, segundo os relatos, eles enfrentaram bloqueio de acesso consular e impedimento de contato com advogados.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-thiago-avila-diz-que-militares-de-israel-estupraram-ativistas-e-mulheres-palestinas/

