A 30ª Parada LGBT+ trouxe bandeiras, camisetas, meias e chapéus verde-amarelos para a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (7). Apesar da proximidade da Copa do Mundo, que começa na próxima semana, participantes afirmaram ao Globo que o uso das cores do Brasil foi motivado principalmente pelo tema político desta edição.
A organização escolheu a importância do voto e a defesa dos direitos da comunidade LGBT+ como eixos centrais do evento, com o slogan “A rua convoca, a urna confirma”. “Hoje podemos pôr a bandeira do Brasil na nossa causa, símbolo que por muito tempo foi apropriado pela extrema-direita”, disse a assistente social Silvia Maria de Lima, de 58 anos, que trabalha em uma ONG voltada ao atendimento de pessoas com HIV.
O psicólogo Ruggeri Tavares, de 34 anos, também destacou a presença do verde e amarelo na Parada. “É a primeira vez que vejo essas cores do Brasil sendo tão usadas na Parada. A política é um tema muito importante diante de um mundo polarizado. Acho que podemos tratar essa briga esquerda-direita de uma maneira mais saudável”, afirmou.
No trio elétrico que abriu o desfile, parlamentares criticaram propostas que tentam restringir a Parada nas ruas de São Paulo e limitar a presença de crianças. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) discursou contra o projeto de lei que tramita na Câmara Municipal e foi acompanhado por vaias da multidão. Erika Hilton (PSOL) também falou no evento e defendeu o fim da escala 6×1. Daiana Santos (PCdoB), Eduardo Suplicy (PT), Guilherme Cortez (PSOL) e Monica Benicio (PSOL), do Rio de Janeiro, também participaram.
Uma das falas mais diretas veio da drag queen Salete Campari, que ajudou na organização de uma das primeiras edições da Parada. “Esse ano é um ano de eleição. Na hora da eleição, não votem em pessoas que querem nos matar, votem em pessoas que nos amem”, disse no trio elétrico que liderava o desfile.
A edição deste ano ocorre em meio à queda de patrocínios. Segundo a Associação da Parada do Orgulho LGBT, presidida por Nelson Matias Pereira, a saída de grandes empresas provocou redução de 60% na receita entre 2025 e 2026. No ano passado, 12 marcas apoiaram o evento; neste ano, são três: Amstel, como patrocinadora oficial, Grupo L’Oréal no Brasil, como copatrocinador, e Philip Morris Brasil, como apoiadora. O número de trios também caiu de 19, em 2025, para 14, em 2026.
Para a psicóloga Andrea Domanico, de 60 anos, a retração tem relação com o avanço de um clima conservador. “Esse ano precisamos defender o voto consciente para a comunidade LGBT, defender que todos temos os mesmos direitos”, disse. Sua esposa, Suely Oliveira, de 67 anos, resumiu o simbolismo da bandeira: “Essa bandeira simboliza que o Brasil é um país de todas as cores e que todas as cores precisam ser respeitadas”.
Além dos discursos, a Parada teve shows de artistas como Gloria Groove, Pabllo Vittar, Melody, Urias, Pepita, Jup do Bairro e Majur. A concentração começou por volta das 10h, na altura da Rua Peixoto Gomide, e os trios seguiram em direção à Rua da Consolação e à Praça Roosevelt. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, cerca de 1,5 mil policiais atuaram no evento, monitorado também por drones e câmeras, com gradis e torres de observação ao longo do percurso.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/videos-em-ano-eleitoral-parada-lgbt-usa-cores-do-brasil-para-defender-direitos/

