Uma perícia da Polícia Federal (PF) encontrou no celular da porteira Nailze Aparecida Ribeiro Silva, condenada a 14 anos de prisão pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro, um vídeo gravado dentro do plenário do Senado. A gravação contrasta com uma carta em que ela negou ter entrado em prédios públicos durante os atos. Com informações do Metrópoles.
Em dezembro de 2023, Nailze escreveu ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedindo um acordo de não persecução penal. Disse ter participado de uma manifestação pacífica. “Eu não cometi ato nenhum de vandalismo senhor não entrei em lugar nenhum, apenas fiquei no espelho d’água mais logo fui embora”, afirmou na carta.
A PF localizou os arquivos durante uma perícia realizada em maio de 2024. Segundo o relato policial, uma gravação situa Nailze no plenário do Senado, perto de um assento destinado aos parlamentares, com a câmera apontada para a Mesa ocupada por manifestantes. Outro vídeo registra sua presença na área externa do Congresso, perto da rampa e do espelho d’água.
Segundo a PF, os dois vídeos foram encaminhados em grupos de WhatsApp. Nenhum registra depredação: as imagens documentam a presença da porteira nos dois locais.

Antes do relatório policial, a Procuradoria-Geral da República (PGR) limitava a acusação a incitação e associação criminosa, por não ter provas de sua participação nas invasões. Com as gravações, o órgão concluiu que a conduta avançou para a entrada nos prédios públicos e acrescentou os crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Nailze em julgamento virtual realizado entre 15 e 22 de maio de 2026. Por maioria, o tribunal a considerou culpada pelos quatro crimes acrescentados e por associação criminosa armada. A pena soma 12 anos e seis meses de reclusão, um ano e seis meses de detenção e 100 dias-multa, com início do cumprimento em regime fechado.
O STF também fixou indenização mínima de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. O pagamento é solidário com os demais condenados pelos ataques, e não uma cobrança individual desse valor integral à porteira.
O ministro Alexandre de Moraes expediu mandado de prisão contra Nailze após o encerramento dos recursos. Segundo a reportagem publicada pelo Metrópoles neste sábado (10), a ordem ainda não havia sido cumprida, e ela permanecia em liberdade provisória, com tornozeleira eletrônica, em São Bernardo do Campo, em São Paulo. O veículo não conseguiu localizar sua defesa.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/videos-porteira-senado-8de-janeiro/


