A vitória épica de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste domingo (25) representa o início do fim da onda de extrema direita que avançou sobre diferentes países nos últimos anos.
A reeleição com 51,8% dos votos válidos contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL) interrompe uma sequência de vitórias de lacaios de Donald Trump na América Latina e impõe uma derrota mundial aos EUA.
O premiê espanhol Pedro Sánchez comemorou o feito e afirmou que espera uma recuperação semelhante das forças progressistas nas eleições espanholas de 29 de novembro. “O que aconteceu no Brasil acontecerá também em Espanha. A recuperação do progressismo global acaba de começar”, escreveu Sánchez na rede social X.
Um ciclo marcado pelo crescimento de movimentos fascistas vai beijando o asfalto. Fuck you, Elon Musk e seus capangas e colegas.
A eleição brasileira também representou um confronto entre dois projetos de inserção internacional. Durante a campanha, Trump manifestou apoio a Flávio e o recebeu na Casa Branca. Ele já declarou que a eleição foi roubada e seus empregados começaram com o terrorismo habitual.
Para quê? Para nada.
A vitória de Lula frustra a possibilidade de Washington contar com um aliado ideológico no comando da maior economia latino-americana. Também dificulta a expansão da influência política de Trump sobre a região.
Lula respondeu colocou a soberania no centro de sua campanha. Defendeu a cooperação internacional contra o crime organizado, mas rejeitou qualquer possibilidade de subordinação do Brasil aos interesses estratégicos de Washington
A vitória do presidente brasileiro se tornou ainda mais expressiva pelas circunstâncias da disputa. Aos 80 anos, Lula conseguiu reverter uma derrota no primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro obteve 47% dos votos, contra 45% do petista.
Nas três semanas seguintes, a mobilização popular modificou o cenário eleitoral. Jovens, movimentos sociais, organizações estudantis, artistas, idosos — o povo ocupou ruas, universidades, estações de transporte público e redes sociais em defesa da reeleição.
A campanha também recuperou o debate sobre os resultados econômicos e sociais do governo. Entre 2023 e 2025, a economia brasileira acumulou crescimento de 9,2%, enquanto o desemprego recuou de 9,3%, em 2022, para 5,4%, em 2026.
O Hino da Independência mds, o Lula reencarnação de D Pedro II #Fantástico https://t.co/G3fbNrDn2s
— eplay (@forumeplay) October 26, 2026
O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome das Nações Unidas em 2025, e o desmatamento na Amazônia registrou uma redução expressiva em comparação com os índices observados durante o governo de Jair Bolsonaro.
A mobilização em torno de Lula transformou a eleição em uma disputa sobre o futuro das instituições democráticas brasileiras, a continuidade das políticas sociais e a independência do país diante das pressões internacionais.
A reeleição de Lula ocorre depois de uma sequência de vitórias eleitorais da direita em países como Chile, Bolívia e Honduras. A Argentina tem um office-boy psicopata de Trump no comando. Esses resultados haviam alimentado a expectativa de uma mudança duradoura no equilíbrio político latino-americano, especialmente depois do retorno de Trump à Casa Branca.
O resultado brasileiro altera esse cenário. Com Lula no Brasil e Claudia Sheinbaum no México, as duas maiores economias da América Latina continuam com a esquerda, agora num outro momentum.
Milei, que apoiou Flávio Bolsonaro e xingou Lula de maneira grotesca até para um argentino, enfrenta desgaste nas pesquisas de opinião antes das eleições presidenciais do próximo ano. No Chile, José Antonio Kast registra queda de popularidade poucos meses após assumir.
O Brasil ocupa uma posição particularmente importante nesse processo. Além de sua dimensão econômica e populacional, o país exerce influência sobre negociações comerciais, políticas ambientais, organismos multilaterais e relações diplomáticas entre a América Latina e outras regiões.
O impacto também pode alcançar os Estados Unidos, onde Trump enfrenta as eleições legislativas de meio de mandato. A derrota de seu aliado brasileiro ocorre em um momento importante para a avaliação da força política do presidente americano.
Às vésperas dos 81 anos, Lula é o líder democrata mais importante do planeta. Mostrou que a extrema direita pode ser derrotada, inclusive quando conta com o apoio da Casa Branca.
Daqui para a frente vai ser um efeito dominó.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/vitoria-de-lula-e-o-inicio-do-fim-da-onda-de-extrema-direita-mundial/

