O ator Wagner Moura usou uma entrevista no programa americano The Daily Show para fazer críticas diretas a Jair Bolsonaro e defender a mensagem política do filme “O Agente Secreto”. A participação foi ao ar na sexta-feira (16), após o longa conquistar dois prêmios no Globo de Ouro, e teve forte repercussão nas redes sociais.
Ao comentar o contexto do filme, Moura afirmou que “a ditadura terminou em 1985, mas não realmente terminou em 1985”, dizendo que “os ecos da ditadura ainda estão lá”. Segundo ele, a eleição de Bolsonaro, em 2018, representou a volta desses valores autoritários. “Quando elegemos um presidente de extrema direita em 2018, esse homem foi uma espécie de manifestação física desses ecos”, disse o ator no programa.
Wagner explicou que “O Agente Secreto” nasceu da perplexidade dele e do diretor Kleber Mendonça Filho diante do cenário político brasileiro entre 2018 e 2022. “Ele foi eleito democraticamente, mas veio trazer de volta os valores da ditadura para o Brasil no século 21”, afirmou, ao comentar o período em que Bolsonaro esteve no poder. “Nós nos perguntávamos como poderíamos lidar com isso, como poderíamos reagir.”
Durante a conversa com o apresentador Jordan Klepper, Moura destacou a importância da memória histórica. Ele criticou a Lei da Anistia de 1979, dizendo que ela “basicamente perdoou todos os torturadores” e classificou isso como algo “muito ruim para a nossa memória coletiva”. Para o ator, “há coisas que não podem ser esquecidas” e que precisam ser enfrentadas para evitar a repetição de tragédias autoritárias.
Wagner Moura foi entrevistado pelo Daily Show, um programa icônico da TV americana, e falou sobre Bolsonaro.
Entre “lá ele” e aplausos ao mencionar a atual moradia do ex-presidente, Wagner argumentou que a falta de memória sobre a ditadura permitiu a ascensão de Jair. pic.twitter.com/D87tXrmpBE
— Pedro Menezes (@P_droMenezes) January 17, 2026
O ator afirmou ainda que o Brasil começa a lidar com esse passado ao responsabilizar quem atentou contra a democracia. “O Brasil está finalmente se alinhando com esse problema da memória quando enviamos pessoas que tentaram contra a democracia para a prisão”, disse, acrescentando que “Bolsonaro ele mesmo está agora preso”. Segundo Moura, isso pode representar “uma nova fase para os jovens brasileiros”.
Encerrando a reflexão, Wagner Moura afirmou que Bolsonaro “nunca teria existido politicamente” sem o apagamento histórico promovido pela anistia. “Essa lei fez as pessoas esquecerem o quão ruim foi a ditadura”, afirmou. Nos comentários do programa, espectadores estrangeiros elogiaram a entrevista, destacando a franqueza do ator e a forma direta com que relacionou arte, política e memória histórica.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/wagner-moura-diz-que-bolsonaro-e-uma-manifestacao-fisica-dos-ecos-da-ditadura/

