Chuvas acima da média levam Bombeiros a reforçar alerta para alagamentos e lagoas de captação

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Natal já acumula 272,8 milímetros de chuva em julho, volume que supera a média histórica do mês, de 234,7 milímetros, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com o aumento das precipitações e dos alagamentos, o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN) reforçou orientações para reduzir os riscos de acidentes em enxurradas, áreas inundadas, fios elétricos rompidos e lagoas de captação.

Dados divulgados nesta terça-feira 21 pela Unidade Instrumental de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) mostram que o estado registrou chuvas de até 89,2 milímetros nas últimas 24 horas. O levantamento considera o período entre 7h de segunda-feira 20 e 7h desta terça-feira 21 e aponta que os maiores acumulados ocorreram na faixa Leste, principalmente no litoral e na Região Metropolitana de Natal.

O maior volume foi registrado em Pureza, com 89,2 milímetros, seguido por Tibau do Sul, com 85,8 milímetros. Em Natal, o acumulado chegou a 60,5 milímetros. Também foram registrados 58,2 milímetros em Parnamirim, 51,2 milímetros em São Gonçalo do Amarante, 32 milímetros em Ceará-Mirim e 29,2 milímetros em Macaíba.

No Agreste, Monte Alegre registrou 33 milímetros. Na Região Central, Caiçara do Norte teve o maior acumulado, com 24,2 milímetros. Na Região Oeste, a Emparn informou que não houve registro de chuva durante o período analisado.

Segundo o tenente Vidal, do Corpo de Bombeiros, uma das ocorrências mais frequentes durante períodos de chuvas intensas envolve pessoas que tentam atravessar ruas alagadas. Em um dos atendimentos realizados pela corporação, um homem caiu em um bueiro aberto ao tentar passar por uma via inundada.

“Tinha uma rua que estava alagada. Ele tentou passar e caiu num buraco de bueiro que estava aberto.”

Em outro atendimento, um homem caiu após o terreno ceder em uma área da Zona Norte de Natal.

“Ele poderia ser soterrado se não fosse a ajuda dos próprios moradores. A gente conseguiu segurá-lo com a corda até a chegada do Corpo de Bombeiros.”

Tenente Vidal, do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte, orienta a população sobre os cuidados para evitar acidentes durante o período de chuvas intensas. – Foto: José Aldenir / Agora RN

O oficial orienta que a população evite áreas com sinais de instabilidade. “Se você está numa área próxima a uma ribanceira, um terreno que não é muito seguro, e consegue ver uma instabilidade, procure evitar aqueles pontos.”

Também recomenda que pedestres não atravessem ruas alagadas. “Sempre vai ter um buraco, pode haver sedimentos, galhos ou outros objetos que podem machucar quem estiver passando.”

Para motociclistas, a recomendação é reduzir a velocidade e trafegar pelos trechos com menor volume de água. Já os motoristas devem evitar avançar quando a água atingir aproximadamente metade da altura dos pneus. “O pessoal precisa entender que carro não é barco. Ele precisa manter contato com o chão.”

Segundo o tenente, quando o veículo perde aderência, coloca em risco não apenas quem está dirigindo. “A partir do momento em que o carro começa a derrapar ou até ser arrastado, você põe em risco a sua própria vida e a vida de outras pessoas que também estão no trânsito.”

Chuva Alagamento Rua Mossoró Petropólis (48)
Bombeiros orientam motoristas a não atravessarem vias alagadas – Foto: José Aldenir / Agora RN

O Corpo de Bombeiros também realiza o resgate de moradores ilhados pelas enchentes.

Segundo o tenente, embarcações de alumínio são utilizadas para retirar pessoas e bens de residências inundadas. “Muitas vezes, tudo o que elas têm está naquela casa. A gente tenta ajudar na retirada das pessoas e dos seus bens da forma mais adequada possível.”

Nas buscas por pessoas arrastadas pela correnteza, a corporação utiliza botes infláveis motorizados. “A gente faz tanto a busca em superfície quanto o mergulho, para encontrar a vítima caso ela tenha submergido.”

Fios energizados exigem distância

Outro alerta do Corpo de Bombeiros é para cabos de energia rompidos durante as tempestades. “Se um fio elétrico cair, a gente sempre procura se distanciar da área onde ele está. O risco do choque elétrico é muito alto.”

Em caso de queda de um fio sobre um veículo, a orientação é permanecer dentro do carro. “Não abra janelas, não tente tocar no veículo do lado de fora.”

Segundo Vidal, sair do veículo pode aumentar o risco de choque. “O local mais seguro é exatamente onde você está. Dentro do seu veículo, sentado no banco.”

Ele afirma que manter a calma é fundamental. “Muitas vezes, o que provoca a morte das pessoas ou até um agravamento da situação é o desespero. Sempre ligue para o 193 e mantenha a calma.”

Lagoas de captação não são locais para banho

As orientações foram reforçadas após a morte de José Lucas, de 25 anos, na lagoa de captação do conjunto Santarém, na Zona Norte de Natal.

Segundo testemunhas, o jovem jogava futebol na quadra localizada ao lado do reservatório quando a bola passou pela grade e caiu na água. José Lucas entrou na lagoa para recuperá-la e acabou se afogando. Outro rapaz também entrou no reservatório, mas conseguiu sair com vida.

Moradores afirmam que é comum jogadores entrarem na lagoa para buscar bolas, já que a quadra não possui tela de proteção.

O Corpo de Bombeiros retirou José Lucas da água e realizou manobras de reanimação, mas ele não resistiu.

Segundo o tenente Vidal, a equipe chegou ao local cerca de 30 minutos após a vítima submergir. “Pelo protocolo da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), quando a vítima está submersa por até uma hora, a gente faz todo o atendimento considerando que ela ainda esteja viva.”

O oficial alerta que as lagoas de captação oferecem riscos que muitas vezes não são percebidos pela população. “A lagoa de captação não é uma área de lazer. A lagoa de captação não é uma piscina.”

Ele explica que esses reservatórios podem conter água contaminada, correntezas submersas e alterações no relevo do fundo. “A água pode parecer limpa, mas estar contaminada e provocar doenças.”

Segundo Vidal, outro fator de risco é o excesso de confiança. “Depois de uma chuva forte, a profundidade muda, surgem buracos e a pessoa pode não conseguir tocar o fundo. Muitas vezes, o desespero é o que acaba provocando o afogamento.”

Lagoa de Captação Rua Taraúca Santarém (7)
Lagoa de Captação do Santarém | Corpo de Bombeiros alerta que lagoas de captação não são áreas de lazer e oferecem riscos de afogamento e contaminação da água. – Foto: José Aldenir / Agora RN

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Diante do aumento de alagamentos e da previsão de novas chuvas, o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte orienta que a população mantenha a calma, evite áreas de risco e acione imediatamente o telefone 193 em situações de emergência, como quedas de árvores, alagamentos, pessoas feridas ou outras ocorrências que coloquem vidas em perigo.

A corporação também recomenda que a população acompanhe os avisos meteorológicos e as orientações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros, além dos alertas para tempestades, ventos fortes e descargas elétricas emitidos pelos órgãos oficiais, para que seja possível adotar medidas preventivas com antecedência.

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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/bombeiros-alerta-chuvas-acima-da-media/