Médica denuncia assédio em hotel; Ceará tem quase 200 casos de violência contra a mulher em 2025

O Ceará registrou 197 casos de violência contra a mulher em 2025, de acordo com levantamento da Rede de Observatórios da Segurança. Entre os casos, destacam-se episódios de assédio, importunação sexual, homicídios, feminicídios e transfeminicídios. Dados mostram que, em 46% das ocorrências, os autores eram pessoas próximas às vítimas, evidenciando que a violência muitas vezes ocorre dentro do próprio ciclo de convivência. No total, 98 mulheres morreram no estado durante o ano em razão desses crimes, enquanto mais de 961 casos de violência sexual ou estupro foram registrados em nove estados monitorados, sendo que mais da metade das vítimas tinham até 17 anos.

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Casos de assédio chamam atenção e reforçam importância da denúncia

Entre os episódios recentes, a fisioterapeuta Carla relatou ter sido vítima de importunação sexual na recepção de um hotel em Fortaleza. Segundo ela, um hóspede estrangeiro se aproximou e passou a mão em suas partes íntimas enquanto esperava o esposo: “Baixei a cabeça e fiquei olhando para o celular. Quando levantei de novo, ele continuava e a mão tinha entrado ainda mais dentro do short”. Após o ocorrido, a profissional procurou a gerência do hotel, registrou boletim de ocorrência e tornou o caso público nas redes sociais.

Outro caso foi denunciado pela vereadora de Recife, Andreza Romero, durante visita a um parque aquático em Aquiraz. Segundo Romero, um monitor passou a mão intencionalmente sobre ela enquanto ela acompanhava a filha de três anos: “Sim, foi de uma bunda a outra, de propósito. A escada é muito larga, então não cabe qualquer acidente”. A administração do parque informou que repudia a violência e afastou o funcionário das funções após a denúncia.

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Rede de apoio e prevenção no Ceará

Em Fortaleza, a Guarda Municipal conta com mais de mil mulheres na coordenação, incluindo o Grupo Especializado Maria da Penha (GEMP), focado no atendimento, orientação e acompanhamento de vítimas de violência. A inspetora Cristiane Correia, diretora do GMF, explica que a atuação do grupo não se limita ao atendimento inicial: “O foco do GEMP é o pós-ocorrência. As mulheres são assistidas, recebem rondas na casa e no trabalho e medidas para garantir que o ciclo de violência acabe”.

Karla Bessa, fisioterapeuta e participante de programas de prevenção, reforça a importância da denúncia: “As mulheres não devem se calar diante de situações de assédio ou violência. A denúncia é fundamental para que os casos sejam investigados e medidas protetivas sejam aplicadas”. O levantamento da Rede de Observatórios da Segurança aponta que, em média, 12 mulheres são vítimas de violência a cada 24 horas nos estados monitorados, demonstrando a necessidade de conscientização e fortalecimento das redes de proteção.

O aumento de 9% nos casos em relação a 2024 evidencia que, apesar das políticas de prevenção, a violência contra a mulher continua sendo uma preocupação urgente no Ceará e no Brasil. O GEMP e demais programas de segurança reforçam a atuação voltada à proteção das vítimas, com atenção especial às medidas protetivas, acompanhamento pós-ocorrência e ações educativas para reduzir a vulnerabilidade feminina.

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Fonte: https://gcmais.com.br/noticias/2026/03/10/ceara-registra-quase-200-casos-de-violencia-contra-a-mulher-em-2025/