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O aumento acelerado no custo dos insumos da construção civil, com reajustes que chegam a 30% e até 40% ao mês, já provoca impacto direto no ritmo de novos empreendimentos no Rio Grande do Norte, segundo o presidente do Sinduscon-RN, Sérgio Azevedo.
Em entrevista, ele afirmou que a elevação dos preços ocorre de forma “assustadora” e “exponencial”, sendo influenciada tanto por produtos ligados à cadeia do petróleo quanto pelo encarecimento do frete internacional e nacional.
“Alguns produtos são ligados diretamente à importação de petróleo, mas, acima de tudo, aqueles que não têm, eles têm o frete. E o frete ficou mais caro e eles repassam isso para o preço”, disse, ao detalhar o efeito cascata que atinge materiais e insumos, pressionando diretamente os custos das obras e obrigando as empresas a reverem decisões estratégicas.
De acordo com Sérgio Azevedo, esse cenário já começa a interferir nas decisões do setor privado, especialmente na abertura de novos projetos.
“Isso tem feito com que as empresas reanalisem o momento de fazer novos lançamentos”, afirmou, indicando que a expectativa de crescimento para 2026 permanece positiva, mas em ritmo inferior ao observado anteriormente.
O dirigente destacou que 2024 foi considerado um ano “excelente”, impulsionado pela modernização do plano diretor, enquanto 2025 manteve crescimento, porém mais moderado, e que 2026 tende a seguir a mesma linha de 2025, uma vez que o mercado já se encontra em patamar mais elevado.
“2026 vai ter mais cara de 2025 do que cara de 2024, porque o mercado está já muito maior do que ele foi no passado”, explicou, ao associar o novo ciclo à combinação entre base de crescimento mais alta e pressão crescente sobre custos.
No mesmo contexto, o presidente do Sinduscon-RN ressaltou a importância da política habitacional como instrumento de estímulo à atividade econômica, citando a prorrogação do programa RN Mais Moradia até 31 de dezembro, após decreto editado ao final de 2025, o que havia deixado pouco tempo para execução inicial.
Segundo ele, a medida permitirá consolidar a chamada “prova de conceito” do programa, que prevê a construção de 1.000 unidades habitacionais, das quais cerca de 300 já foram contratadas.
O modelo inclui uma contrapartida de R$ 20 mil por unidade, viabilizada via ICMS, destinada a famílias da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, ampliando o acesso ao financiamento ao reduzir o valor das prestações.
“Para cada R$ 1,00 em que o governo investe do ICMS volta R$ 5,77 em arrecadação de impostos direto e indireto”, afirmou, ao defender a lógica de retorno econômico e destacar que o objetivo é transformar o programa em política permanente, com capacidade de alcançar 5 mil a 6 mil moradias por ano.
Sérgio Azevedo também destacou que a política habitacional tem impacto direto na retenção de recursos do FGTS no Estado, já que a dificuldade de acesso ao crédito para famílias de baixa renda fazia com que esses recursos fossem direcionados para outros estados, inclusive regiões Sul e Sudeste.
Ele lembrou que o Rio Grande do Norte enfrenta um déficit habitacional superior a 100 mil moradias, sendo que mais de 80% dessa demanda está concentrada na faixa 1 e, em menor grau, na faixa 2, o que reforça a necessidade de políticas públicas capazes de ampliar o acesso ao mercado imobiliário e estimular a cadeia produtiva da construção civil.
Ao tratar da reforma tributária, o dirigente afirmou que o setor ainda vive um cenário de incerteza, destacando que o novo modelo será implementado ao longo de oito anos de transição, período em que o sistema atual coexistirá com o novo.
Ele classificou a reforma como uma “reforma de exceções”, marcada pela ampla atuação de segmentos que buscaram preservar interesses específicos, o que, segundo sua avaliação, tende a concentrar a carga tributária em um número menor de setores.
“O mercado entende que vai ser positivo para a construção civil, porque vão pagar menos imposto. Essa não é a minha avaliação. Eu acho que nós vamos pagar mais imposto”, afirmou, apontando que a elevada participação da mão de obra na composição de custos da construção, que não gera créditos tributários, pode elevar despesas, sobretudo em processos que envolvam terceirização, tornando incerta a equação final de custos e impacto sobre o setor.
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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/custos-sobem-ate-40-e-travam-obras/

