Empresa do RN avança em prêmio nacional com cimento sustentável para poços maduros de petróleo

Este conteúdo foi originalmente publicado no Agora RN – Portal de Notícias do Rio Grande do Norte. Visite https://agorarn.com.br para mais notícias de Natal e RN.

A Brasil Química e Mineração Industrial (BQMIL), empresa com atuação no Rio Grande do Norte, avançou para a etapa de validação da 9ª edição do Prêmio Nacional de Inovação (PNI) com um projeto voltado ao desenvolvimento de um cimento especial para poços de petróleo em terra, produzido a partir do reaproveitamento de resíduos industriais e agrícolas.

A premiação, considerada a principal do país na área de inovação, é promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Sebrae, em parceria com IEL, Senai e Sesi, e ocorre a cada dois anos.

A classificação coloca a empresa entre as semifinalistas do processo seletivo, após a superação das fases de habilitação e avaliação técnica. As companhias que avançam nessa etapa passam por um processo de validação, anterior à análise final da banca julgadora, responsável por definir as finalistas que participarão da cerimônia oficial de premiação.

Segundo o CEO da BQMIL, Marcelo Rosado, a trajetória da empresa no prêmio reflete uma estratégia consistente de investimento em pesquisa e desenvolvimento. “Ao mantermos investimentos em pesquisa, classificamos a empresa entre as três melhores no Prêmio Nacional em 2019 e 2022. Participamos em 2024 e estamos com grandes expectativas para a premiação agora em 2026”, afirma.

A BQMIL concorre na categoria Recursos Renováveis, que avalia iniciativas relacionadas ao uso sustentável de recursos naturais, à valorização de resíduos industriais como insumos e ao desenvolvimento de tecnologias voltadas à gestão eficiente de matérias-primas críticas para a matriz energética. Nas oito edições já realizadas do PNI, foram registradas 16.560 inscrições, com 308 finalistas e 113 vencedores.

O projeto apresentado nesta edição foi desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e com a Repsol Sinopec Brasil (RSB). O resultado é um cimento de alta resistência, indicado para poços de campos maduros em terra, que operam sob elevadas temperaturas. Atualmente, esse tipo de aplicação depende majoritariamente de cimento importado, o que eleva custos e aumenta a pegada ambiental da atividade.

“Observando a alta demanda em se viabilizar a exploração de petróleo em campos maduros, essa tecnologia se habilita como um elemento importante nesse processo”, diz Rosado. “Partindo de matéria-prima reciclada e abundante em nossa região, em substituição a insumos importados, conseguimos desenvolver um produto que amplia a vida útil dos poços maduros e que é economicamente competitivo para petroleiras de pequeno e médio porte”, acrescenta.

Além do ganho econômico, o executivo destaca o caráter ambiental do projeto, que utiliza resíduos de biomassa da indústria agrícola e materiais oriundos da produção de argamassa, reforçando a lógica da economia circular. “Não se trata de um prêmio financeiro, mas de um reconhecimento do grau de maturidade da empresa e de seus pesquisadores em inovação”, afirma. Ao final do processo, as empresas recebem um relatório técnico detalhando seus pontos fortes e aspectos passíveis de aprimoramento.

A articulação com instituições de ensino e pesquisa é um dos critérios relevantes na avaliação do prêmio. “Projetos desenvolvidos em parceria com universidades públicas e de reconhecida excelência têm peso importante”, observa Rosado. Para ele, essa interação é estratégica para estados como o Rio Grande do Norte, que reúne vocações em áreas como energias renováveis, mineração e petróleo onshore.

Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FiERN) e presidente da Comissão Temática de Meio Ambiente (Coema) da entidade, Rosado avalia que iniciativas de inovação e sustentabilidade podem impulsionar o desenvolvimento econômico local. “Temos setores estratégicos, como energias renováveis, fruticultura e outras atividades com alto potencial de crescimento, além de diversas matérias-primas capazes de dinamizar a economia do Estado”, afirma.

Presidente também do Sindicato das Indústrias de Extração de Calcário, Fabricação de Cimento, Cal e de Argamassa do RN (Sinecim-RN), o executivo defende que o fortalecimento da pesquisa aplicada e a participação em programas nacionais de inovação são caminhos para gerar competitividade, riqueza e maior inserção do Rio Grande do Norte em cadeias produtivas de maior valor agregado.

Marcelo Rosado, CEO da empresa – Foto: Reprodução/Assessoria Fiern

Leia mais notícias do Rio Grande do Norte no Agora RN: https://agorarn.com.br | Siga-nos: Facebook.com/agorarn

Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/empresa-do-rn-avanca-em-premio-nacional-com-cimento-sustentavel-para-pocos-maduros-de-petroleo/