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Os parentes do engenheiro civil Carlos Eugênio Leopoldo Nunes Filho, de 27 anos, querem saber exatamente como ele morreu. O jovem se afogou ao cair de uma moto aquática na Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta, e a família cobra explicações sobre o que houve ali. Era por volta das 20h30 de domingo 6; o corpo só apareceu na manhã da segunda-feira 7, a uns sete metros de profundidade.
Ele ia na garupa quando os dois foram ao chão d’água no meio da travessia de uma margem à outra. O piloto conseguiu subir de volta no equipamento; Carlos sumiu debaixo da água. Ao Corpo de Bombeiros, testemunhas relataram duas coisas: que o piloto estaria embriagado, e que uma manobra brusca teria provocado a queda dos dois. As circunstâncias serão investigadas pela Polícia Civil.
O colete que não chegou a ser vestido
A família diz que ele não usava colete salva-vidas no momento em que tudo aconteceu, e pergunta por que o passeio chegou a sair daquele jeito. Conta que alguém chegou a estender o equipamento ao rapaz antes da partida — só que o piloto acelerou antes de Carlos conseguir vesti-lo.
Outro ponto que a família questiona é a conduta do condutor depois da queda: ele teria deixado o local sem prestar qualquer esclarecimento. Dizem também que pertences dele acabaram guardados dentro do carro que o havia trazido de carona até ali. Essa versão de que o piloto foi embora sem esperar chegou igualmente ao Corpo de Bombeiros.
Há ainda duas perguntas que a família não larga: o horário em que aquele jet ski estava rodando, e o tamanho da fiscalização sobre as condições de quem o pilotava. Familiares contam que funcionários da marina já haviam advertido o condutor em outras ocasiões sobre o jeito como ele usava a moto aquática.
“Se o estabelecimento fecha às 18 horas, não se pode mais andar de jet ski às 18 horas, por que ele estava com o jet ski às 20h20, rodopiando, fazendo manobra? Outra, se é proibido lá dirigir alcoolizado, por que permitiram que ele dirigisse?”, cobrou a tia de Carlos, Netânia Maria.
O que diz a marina
Por nota, a Marina Proguard — ponto de onde a embarcação saiu naquela noite — lamentou a morte e fez questão de frisar que Carlos viajava como passageiro num veículo aquático de propriedade particular, e não da casa. O colete, acrescentou, ele não usava: equipamento que a marina classifica como de segurança obrigatória para esse tipo de navegação.
A empresa lembrou ainda que pilotar à noite não é permitido e que, aos domingos, a operação náutica se encerra às 18h em ponto. Pela versão da empresa, portanto, o estabelecimento já estava fechado no momento em que o acidente ocorreu, por volta das 20h30.
Ainda pela nota, é o comandante ou piloto de cada embarcação quem responde pela própria segurança e pela de quem leva a bordo. A empresa acrescentou que não dispõe de poder de polícia nem de fiscalização — o que lhe cabe é orientar — e informou que só aceita cliente habilitado na guarderia.
Segundo a Proguard, ela acionou as autoridades e cedeu catamarã, lanchas e outras estruturas às equipes dos bombeiros e da Capitania dos Portos enquanto durou a busca.
A busca que atravessou a noite
Os bombeiros entraram na água ainda no domingo à noite, mas tiveram de interromper o trabalho: faltava luz para seguir. Na manhã seguinte a busca recomeçou, desta vez com mergulhadores e com equipes espalhadas num catamarã e ao longo de toda a beira da lagoa.
Por volta das 8h10 o corpo foi achado, a uns sete metros abaixo da superfície — pertinho de onde ele havia sumido na véspera.
Oficial de operações da corporação, o tenente França contou que o que chegou às equipes indicava duas coisas: Carlos ia na garupa, e quem pilotava havia bebido.
“O que aconteceu é que esse jovem, o Carlos, vinha na garupa de um jet ski com um piloto, que, segundo informações, teria se embriagado. Durante o trajeto, de uma margem para a outra margem da lagoa, houve uma manobra mais brusca, e aí os dois acabaram caindo do jet ski. Um conseguiu retornar ao jet ski e o outro, infelizmente, não e veio a acontecer essa tragédia”, relatou.
Um bom nadador em sete metros de água
Nascido em Picos, no Piauí, Carlos Eugênio vivia em Natal desde criança e tocava a carreira de engenheiro civil por aqui.
Segundo os parentes, ele nadava bem e já tinha encarado mar aberto — e é exatamente por isso que a dinâmica do afogamento continua sem fazer sentido para a família.
“Outra coisa que intriga é que ele era um excelente nadador, nadava em alto-mar, ele tem um porte físico atlético e tudo, e como é que ele se afogou numa profundidade de sete metros, bem perto de onde ele foi encontrado”, questionou Netânia.
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Fonte: https://agorarn.com.br/rn/familia-cobra-explicacoes-morte-engenheiro-jet-ski-lagoa-do-bonfim/

