Imóveis econômicos puxam alta no setor da construção civil no RN

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O mercado imobiliário do Rio Grande do Norte entrou em um novo ciclo de expansão, impulsionado pelo fortalecimento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), pela demanda reprimida por moradias e pela modernização da legislação urbanística de Natal. A combinação desses fatores tem acelerado os lançamentos voltados ao segmento econômico, atraído novos investimentos privados e reforçado a construção civil como uma das atividades de maior impacto sobre a economia potiguar, responsável pela geração de dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos e por uma ampla cadeia de fornecedores.

O movimento é confirmado pelo mais recente Censo Imobiliário do Sinduscon-RN, elaborado em parceria com a Brain Inteligência Estratégica. No primeiro trimestre de 2026, Natal registrou crescimento de 47% nas vendas de apartamentos residenciais verticais e de 61% nos lançamentos em relação ao mesmo período do ano anterior. O preço médio do metro quadrado alcançou R$ 9.283, alta de 13%, refletindo o aumento da procura por imóveis novos.

O levantamento mostra ainda que os apartamentos de dois quartos representam 65,7% da oferta disponível na capital, enquanto os empreendimentos econômicos concentram 43,3% do estoque imobiliário, evidenciando a predominância de projetos destinados à classe média e às famílias que buscam adquirir a primeira moradia. Neópolis concentrou quase 60% dos lançamentos registrados no trimestre, consolidando-se como principal vetor de expansão imobiliária da cidade, ao lado de bairros como Petrópolis, Tirol, Areia Preta, Nossa Senhora de Nazaré e Ponta Negra.

A construção civil ocupa posição estratégica na economia potiguar. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o setor responde por mais de 30 mil empregos formais no Rio Grande do Norte, além de movimentar milhares de postos indiretos ligados às indústrias de cimento, cerâmica, aço, vidro, esquadrias, móveis, comércio de materiais de construção, arquitetura, engenharia e serviços especializados. O segmento também figura entre os maiores arrecadadores de tributos estaduais e municipais, desempenhando papel relevante na formação do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado.

O aquecimento do mercado levou a holding Moura Debeaux do Nordeste (MDNE) a ampliar sua atuação no Rio Grande do Norte com a chegada da Ún1ca, incorporadora voltada ao segmento econômico e à faixa do Minha Casa, Minha Vida destinada a famílias com renda de até R$ 13 mil mensais. A empresa estreou em Natal com o empreendimento Ún1ca Veredas, localizado na Avenida Ayrton Senna, entre Neópolis e Ponta Negra, cuja primeira torre teve praticamente todas as unidades comercializadas ainda na fase inicial de vendas.

Segundo Wescley Magalhães, gerente de Incorporação da MDNE no Rio Grande do Norte, o desempenho confirma que havia demanda reprimida na capital. “O crescimento das vendas e dos lançamentos confirma essa demanda, especialmente no Minha Casa, Minha Vida. Foi justamente esse cenário que motivou a chegada da Ún1ca a Natal, oferecendo um produto com a solidez e qualidade da Moura Dubeaux, alinhado ao novo perfil de consumidores contemplados pela Faixa 3 do programa”, afirma.

Para o executivo, a expansão do programa habitacional federal alterou significativamente o perfil do mercado. “As recentes atualizações nas regras do MCMV funcionaram como um forte catalisador: a ampliação do teto do valor do imóvel para até R$ 600 mil e o aumento da faixa de renda familiar para até R$ 13 mil permitiram que o programa passasse a atender não apenas famílias de baixa renda, mas também uma parcela expressiva da classe média. Essa flexibilização fortaleceu o poder de compra do consumidor e impulsionou o mercado imobiliário com a atração desse novo segmento”, destaca.

Mesmo com a taxa Selic ainda em patamar elevado, Magalhães avalia que o déficit habitacional sustenta a demanda. “Olhamos o cenário com otimismo, mas com cautela. A velocidade de comercialização de imóveis está diretamente atrelada às condições de concessão de crédito. Historicamente, a redução da Selic potencializa as vendas. Ainda assim, o Brasil possui um déficit habitacional expressivo na faixa atendida pelo Minha Casa, Minha Vida, o que mantém a demanda aquecida mesmo em cenários macroeconômicos mais complexos. Para Natal, entendemos que estamos vivenciando um ciclo sólido de crescimento para este segmento”, afirma.

Wescley Magalhães, gerente no RN; Homero Moutinho, diretor regional – Foto: Reprodução/Assessoria

O executivo também atribui parte da recuperação do mercado às mudanças promovidas no Plano Diretor e no Código de Obras de Natal, aprovados em 2023. Segundo ele, a atualização da legislação destravou novos projetos e ampliou a oferta de produtos modernos em regiões consolidadas da cidade. “Natal ainda tem potencial para praticamente dobrar de tamanho sem gerar desequilíbrio entre oferta e demanda. Além disso, o preço do metro quadrado permanece abaixo do observado em capitais como João Pessoa e Maceió, indicando espaço para novas valorizações”, avalia.

O novo empreendimento da Ún1ca reúne apartamentos de dois quartos com área de 45 metros quadrados, unidades garden, estrutura de lazer completa e valor médio a partir de R$ 345 mil. As condições comerciais incluem financiamento bancário de até 80% do valor do imóvel e parcelamento da entrada diretamente com a construtora em até 60 meses, com parcelas a partir de R$ 898, além de incentivos como isenção das despesas de ITIV e registro cartorário no lançamento.

A expansão da marca também faz parte da estratégia regional da MDNE. Segundo o diretor regional da empresa, Homero Moutinho, a parceria com a Direcional Engenharia permitiu combinar a experiência da construtora pernambucana no Nordeste com a liderança da empresa mineira no segmento econômico. “A Direcional é hoje a empresa com a melhor atuação no segmento econômico. Quando decidimos entrar nesse mercado, entendemos que o caminho ideal seria unir a experiência da MDNE na nossa região à expertise da Direcional. Essa parceria resultou em um produto que reúne localização privilegiada, qualidade e excelente custo-benefício”, afirma.

Para os próximos anos, a expectativa da companhia é ampliar a presença da Ún1ca em todos os estados onde o grupo já atua. Enquanto isso, o desempenho observado em Natal reforça a percepção de que o segmento econômico continuará sendo um dos principais motores da construção civil potiguar, atividade que permanece entre as mais relevantes para a geração de emprego, renda e investimentos no Rio Grande do Norte.

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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/imoveis-economicos-puxam-alta-no-setor-da-construcao-civil-no-rn/