Instituto recebe doações para custear aulas de música a crianças no Passaré, em Fortaleza

O Instituto de Música Jacques Klein (IMJK) reiniciou a campanha de doações de 2026, intitulada “Mais que Música”, para conseguir continuar as aulas de música ofertadas a crianças e adolescentes das periferias do bairro Passaré e regiões do entorno, em Fortaleza. As ajudas podem ser feitas por meio de Pix ou cartão.

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Como fazer as doações

Atualmente, o instituto atende quase 500 alunos, com idades entre 3 e 29 anos. A maioria dos estudantes tem entre 8 e 13 anos e é oriunda de escolas públicas e de bairros da capital em situação de vulnerabilidade social. Os interessados em contribuir podem se cadastrar pelo site do instituto, por meio do link, e escolher doações mensais de R$ 25, R$ 50 ou R$ 75, com pagamento via Pix automático ou cartão de crédito.

A campanha é baseada em doações recorrentes mensais e funciona de forma contínua, sem prazo definido para encerramento. Embora grande parte do orçamento do IMJK seja proveniente de leis de incentivo e parcerias com empresas, os valores arrecadados pela campanha são considerados recursos livres, utilizados para cobrir despesas que nem sempre são contempladas por projetos específicos.

Segundo Pedro Sá, supervisor de desenvolvimento institucional do instituto, a meta é arrecadar R$ 50 mil por mês. “Temos a meta de chegar ao valor de R$ 50 mil mensais para manter todas essas atividades funcionando regularmente, como as aulas, as saídas culturais que promovemos, os encontros pedagógicos e as ações do programa de assistência social”, explica.

Os recursos arrecadados ajudam a viabilizar aulas gratuitas de música, manutenção de instrumentos e ampliação do atendimento a crianças e adolescentes das comunidades, fortalecendo o acesso à educação artística.

Criado em 2012, o Instituto Jacques Klein promove há mais de uma década o acesso gratuito à educação musical para um público que, em muitos casos, não teria oportunidade de vivenciar o ensino artístico. Atualmente, são 425 matrículas renovadas e cerca de 50 novos alunos ingressando no projeto em 2026. No total, o instituto oferece 145 turmas de iniciação musical, viola, violino, violoncelo, contrabaixo, piano e técnica vocal, distribuídas nos turnos da manhã, tarde e noite.

Além das aulas, o IMJK mantém uma orquestra de cordas formada pelos próprios estudantes, como forma de consolidar o aprendizado artístico e estimular o desenvolvimento coletivo.

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Instituto Jacques Klein: transformação pela música

Com 12 anos de formação artística dentro da instituição, a musicista Rute Oliveira, de 22 anos, relembra que o contato com o violoncelo despertou o desejo de seguir carreira como professora de música e integrante de orquestras. “Eu entrei desde pequena e sempre quis tocar violoncelo. Sempre foi um sonho para mim. Quero me tornar professora e também viajar pelo mundo, tocando e participando de orquestras”, afirma.

Rute também destaca o papel social do instituto no bairro. “A gente sabe que, principalmente as crianças, estão expostas a muitos riscos. Criança é como um quadro em branco. O instituto pode ajudar nisso, tirando uma criança de uma situação que talvez pudesse ser ruim no futuro e oferecendo a oportunidade de estudar música.”

O Passaré, bairro onde o instituto atua, possui quatro unidades socioeducativas destinadas a adolescentes que cumprem medidas por atos infracionais e não conta com um Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca).

Para o professor de violoncelo João Lage Pessoa, de 33 anos, o ensino musical vai além da formação artística. “A gente causa um impacto muito grande nesses jovens porque não ensinamos apenas a serem músicos. Isso nem é nosso principal objetivo. O objetivo da música aqui é preparar eles para a vida. Ela é uma grande ferramenta de amadurecimento e formação de caráter”, afirma.

Segundo o professor, o aprendizado musical exige disciplina e dedicação constante. “Um músico não se forma da noite para o dia. É preciso trabalho diário, repetição e compromisso.”

Aulas de música para crianças no Passaré, em Fortaleza, geram oportunidades para os alunos

O professor Luís Maurício Carneiro, de 53 anos, acredita que o aprendizado musical ajuda os estudantes a desenvolver concentração, disciplina e confiança para enfrentar desafios. “Um dedo no teclado pode ser um obstáculo para o aluno agora. Quando ele supera isso com motivação, entende que também pode vencer muitas outras dificuldades da vida”, explica.

A oportunidade de estudar música também foi decisiva para o violoncelista Roberto Carlos Rodrigues, de 27 anos, que foi uma das crianças que tiveram aulas de música no instituto, em Fortaleza, há 13 anos. “Para mim, no começo, era mais uma forma de sair da rua e ter algo para fazer. Eu nem imaginava que estaria aqui depois de tanto tempo.”

Roberto lembra que as aulas ajudaram a superar a timidez. “Eu era uma criança muito fechada e tinha muito medo de tocar na frente das pessoas. Com o tempo e com a ajuda dos professores, fui aprendendo e conseguindo me expressar melhor.”

Os estudantes passam inicialmente por um processo de iniciação musical baseado no método Suzuki, desenvolvido pelo músico e filósofo japonês Shinichi Suzuki. A metodologia parte do princípio de que qualquer criança pode aprender música da mesma forma que aprende sua língua materna, priorizando imersão, audição, repetição e envolvimento da família no processo de aprendizado.

Segundo o professor Luís Maurício, o resultado vai além da música. “Eles saem daqui como pessoas que sabem trabalhar em equipe e entendem que podem crescer. Percebem que, se se prepararem, são capazes de realizar seus sonhos.”

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Fonte: https://gcmais.com.br/noticias/2026/03/17/instituto-recebe-doacoes-para-custear-aulas-de-musica-a-criancas-no-passare-em-fortaleza/