Jean Paul defende apoio do Governo Federal para RN mitigar crise fiscal

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O ex-senador Jean Paul Prates defendeu que o Governo Federal atue de forma direta, técnica e coordenada para ajudar o Rio Grande do Norte a mitigar as dificuldades fiscais enfrentadas pelo Estado. Em entrevista à 94 FM, ele afirmou que o apoio federal não se daria por meio de “canetadas” ou repasses indiscriminados, mas a partir de uma análise detalhada da situação financeira estadual e da articulação com ministérios e áreas específicas do governo.

“É claro que ninguém pode dar uma canetada e sair distribuindo dinheiro para um ou para outro, mas você pode olhar dedicadamente cada setor do governo, cada setor especificamente da questão fiscal e financeira e levar esses problemas para os devidos setores do governo federal”, afirmou.

Segundo Jean Paul, há caminhos institucionais possíveis para aliviar a pressão fiscal, desde que o diagnóstico seja preciso. “Aqui pode ser ajudado, aqui não pode, aqui pode haver ou uma antecipação de alguma coisa ou pode se resolver alguma coisa no orçamento de um lado de cá que libera dinheiro para o outro lado”, disse.

O ex-senador ressaltou que os problemas fiscais enfrentados pelo RN não são exclusivos do Estado. Refletem, segundo ele, um quadro histórico comum a diversas unidades da Federação. Ele citou Minas Gerais e Rio de Janeiro como exemplos de estados que convivem há décadas com dificuldades estruturais.

Jean Paul mencionou ainda fatores como o crescimento desordenado da folha de pessoal, passivos previdenciários antigos e estruturas administrativas defasadas. Para ele, soluções abruptas ou simplistas tendem a agravar o problema. “Não adianta um cara chegar e dizer ‘ah, eu sou a solução que eu vou demitir e pagar, não vou pagar mais aposentado e vou demitir metade da folha de um dia para o outro’. Isso não resolve”, alertou.

Na avaliação dele, medidas desse tipo criam novos impactos sociais e econômicos negativos.

Sucessão estadual

Ao comentar o cenário político do Rio Grande do Norte, Jean Paul associou o debate fiscal à indefinição sobre a sucessão da governadora Fátima Bezerra e à decisão do vice-governador Walter Alves sobre assumir ou não o governo. Para ele, a gravidade da situação financeira é um fator legítimo de preocupação.

O ex-senador avaliou que o apoio do Governo Federal pode ser decisivo para reduzir inseguranças e evitar um mandato de transição marcado por crises agudas. “Sempre tem solução nesse processo. Até hoje, sempre teve como se rolar dívidas”, disse.

Jean Paul ponderou que o desafio não está apenas em equilibrar contas, mas em compreender o que significa governar um Estado com limitações estruturais. “Não adianta dizer que vai economizar em passagem de ônibus, de vale-transporte ou de sei lá o quê. Pequenas coisas que, na verdade, vão prejudicar a estrutura de funcionamento do que funciona e não vão ajudar o que não funciona”, afirmou.

Ex-senador chega ao PDT e aposta em reestruturação do partido

Durante a entrevista, Jean Paul Prates também comentou sua chegada ao PDT e o momento de reorganização da legenda no Rio Grande do Norte. Ele afirmou que o partido passa por um processo de revitalização, com o objetivo de reconvocar militâncias históricas e se preparar para os próximos ciclos eleitorais.

“A gente está com uma missão, juntamente com a presidenta Márcia Maia, no PDT, de estruturar o partido também, revitalizar o partido, reconvocar as militâncias”, disse.

Segundo ele, o trabalho envolve olhar não apenas para as eleições de 2026, mas também para o futuro do partido. “Esse futuro passa por 2026, mas também olha para 2030”, afirmou, ao destacar a importância de fortalecer uma sigla de esquerda com autonomia e identidade própria.

Jean Paul comparou o desafio de reconstrução do PDT a experiências anteriores de sua trajetória profissional. “Essas coisas de ‘olha, dificuldade, não tem estrutura, vamos ter que construir isso do zero, tecnologia para fazer’… Isso me entusiasma, eu acho legal isso”, afirmou.

Ele relembrou momentos em que participou de processos semelhantes, tanto na política quanto em sua passagem pela Petrobras, ressaltando que situações adversas podem ser oportunidades de virada. “Eu acho um desafio excelente, ótimo, na minha vida”, disse.

Ao final, Jean Paul afirmou que o objetivo imediato do partido é colaborar com o campo progressista nas próximas eleições. “A eleição agora é uma eleição para colaborar com o campo do progressista, para ajudar esses campos a evoluírem, a consolidarem”, concluiu.

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Fonte: https://agorarn.com.br/rn/jean-paul-apoio-governo-federal-crise/