Legado de Titina vira patrimônio

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A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), sancionou a Lei nº 12.746 que reconhece a vida e a obra da artista potiguar Titina Medeiros como Patrimônio Cultural e Artístico Imaterial do Estado. A norma foi publicada após aprovação da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN).

O texto da lei estabelece que “ficam reconhecidas como Patrimônio Cultural e Artístico Imaterial do Estado do Rio Grande do Norte a vida e a obra da artista potiguar Titina Medeiros”. A legislação entrou em vigor na data da publicação.

A proposta foi apresentada pela deputada estadual Divaneide Basílio (PT) após a morte da atriz, ocorrida em 11 de janeiro deste ano, em Natal. Titina Medeiros morreu aos 49 anos em decorrência de um câncer no pâncreas. Nascida em setembro de 1977 e criada em Acari, na região Seridó potiguar, Titina construiu trajetória de mais de três décadas dedicada ao teatro, à televisão, ao cinema e à produção cultural. O reconhecimento oficial destaca a contribuição da artista para as artes cênicas e para o audiovisual brasileiro, com ênfase na valorização da identidade potiguar e nordestina.

Ao defender a proposta em plenário, Divaneide Basílio afirmou que a atriz “deixa um legado, que é para a gente um patrimônio” e declarou que o objetivo é “resguardar e proteger toda essa obra”. Segundo a parlamentar, a trajetória da artista esteve ligada ao Rio Grande do Norte, com participação em grupos teatrais, montagens que circularam em âmbito estadual e nacional e trabalhos que levaram o nome do Estado a diferentes regiões do País.

A atuação da atriz na novela “Cheias de Charme”, da TV Globo, deu projeção nacional à artista. A aprovação do projeto ocorreu durante sessão plenária da Assembleia Legislativa realizada no dia 5 de maio. A homenagem integra um conjunto de iniciativas recentes voltadas à preservação da memória e da trajetória artística de Titina Medeiros.

Em Acari, o Governo do Estado inaugurou, em 17 de abril, o Memorial Titina Medeiros – Território de Encantamentos, instalado na Casa de Cultura Popular Palácio Titina Medeiros. O espaço reúne figurinos, fotografias, objetos pessoais e instalações relacionadas à carreira da atriz. A criação do memorial foi realizada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult/RN) e pela Fundação José Augusto (FJA). Durante a inauguração, o presidente da FJA, Gilson Matias, afirmou que o espaço busca preservar o pensamento coletivo defendido pela artista.

“Este memorial fortalece a resistência cultural e o pensamento coletivo que Titina sempre defendeu. Ela saiu de Acari, mas nunca deixou de puxar artistas potiguares para construir coletivamente. Este espaço não é apenas figurativo, mas vivo, para inspirar cada pessoa que o visite e tenha nela um exemplo”, declarou. O espaço expositivo foi concebido pelo cenógrafo e diretor teatral João Marcelino, com curadoria de Arlindo Bezerra, César Ferrario e do próprio Marcelino. A exposição foi organizada em três eixos: “Arquiteturas das Personagens”, “Portais da Memória” e “Anjo da Coroação”.

Também foi instalada no local uma escultura em metal. Outra homenagem ocorreu em Natal, no Teatro Sesc Sandoval Wanderley.

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