Literatura potiguar se torna patrimônio cultural imaterial

Este conteúdo foi originalmente publicado no Agora RN – Portal de Notícias do Rio Grande do Norte. Visite https://agorarn.com.br para mais notícias de Natal e RN.

A literatura potiguar passou a ser oficialmente reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Norte. A medida, apresentada pela deputada Divaneide Basílio (PT) e sancionada no último dia 18 pela governadora Fátima Bezerra (PT), reforça a preservação da memória, da identidade regional e da produção intelectual do Estado, além de reconhecer a contribuição de escritores e obras para a construção da identidade cultural potiguar.

O reconhecimento foi celebrado por autores e representantes do setor literário, que destacam a importância da iniciativa para a valorização da produção local. Ao mesmo tempo, eles defendem a ampliação de políticas públicas voltadas ao incentivo à leitura, à publicação de obras e à formação de novos escritores.

Presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras (ANRL) há quatro décadas, o poeta Diógenes da Cunha Lima Filho considera a literatura uma herança construída ao longo de gerações. Um dos principais autores contemporâneos do Estado, ele atribui o início de sua trajetória literária à influência do pai.

“Começou com meu pai, porque todos os dias ele acordava, eram seis filhos que ele tinha, e nos acordava recitando poesia ou cantando músicas que tinham poemas internos. Com oito anos eu tentei fazer o primeiro poema, que era rimando. Caminhão com botão, tostão, e por aí afora eu saía rimando”, relatou.

A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras foi fundada em 1936 por nomes importantes da cultura do Estado, entre eles Luiz da Câmara Cascudo, considerado uma das maiores referências da literatura e da pesquisa folclórica potiguar.

Para Diógenes, o reconhecimento da literatura como patrimônio cultural imaterial também evidencia a relevância da produção intelectual do Rio Grande do Norte em âmbito nacional. “O Rio Grande do Norte tem, em vários setores, excepcional talento. Pessoas que, a partir de Câmara Cascudo e os outros que ficam ao seu redor, como grandes figuras em todos os setores de atividade, há uma participação e um respeito nacional”, afirmou, em entrevista à TV Tropical.

O escritor e cronista Carlos Fialho também comemorou a iniciativa. “Esse reconhecimento, através desse gesto que vem a acontecer agora, é motivo de felicidade, sim, para quem faz a literatura, para quem trabalha com isso no dia a dia. Então, eu fico grato por essa ação, por essa atitude”, disse.

Embora avalie a medida de forma positiva, o escritor de literatura infantil Juliano Freire ressalta que a valorização da literatura exige ações permanentes além da legislação.

“É preciso que, além da lei, além de uma norma, a gente tenha também ações, iniciativas e projetos que permitam, que estimulem, que abram a oportunidade para que as pessoas comecem a escrever livros e lançá-los, sobretudo os estreantes, os iniciantes. E quem já está na literatura também tenha estímulo, possa fazer com que o seu livro chegue a bibliotecas, às escolas, às livrarias, de uma forma mais acessível às pessoas”, afirmou.

Entre os escritores da nova geração, a autora potiguar Thaís Dias também vê a medida como um avanço para o setor. Para ela, o reconhecimento institucional da literatura local fortalece o trabalho dos autores e amplia a visibilidade da produção potiguar. “É um passo na caminhada pela valorização dos autores e da produção literária local”, afirmou, em declaração ao Agora RN.

Aos 25 anos, Thaís integra uma geração de escritores que vem ampliando a cena literária do Estado. Ela começou a escrever ainda na infância e publicou, em 2020, o e-book “Acúleo”, desenvolvido de forma independente durante a pandemia.

Apesar das possibilidades oferecidas pelo ambiente digital, a escritora destaca o desejo de publicar livros impressos e manter a relação física com a leitura. “Publicar na internet tem seu lado frio. É um livro, mas não tem páginas amareladas com cheiro de livro. Eu quero poder ter um livro físico meu em casa”, disse. “Eu acho que é uma realização. Você tem um livro concreto, é toda uma sensação.”

Segundo Diógenes da Cunha Lima, a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras seguirá atuando em parceria com outras instituições para fortalecer a política de valorização da literatura no Estado.

“Nós nos reunimos e nos associamos sempre junto a instituições culturais. Além disso, nós participamos e apoiamos o trabalho da Capitania das Artes, da Prefeitura, da Secretaria de Cultura, da Fundação José Augusto, no Governo do Estado. Enfim, há sempre uma dinâmica do trabalho da nossa Academia”, afirmou.

O reconhecimento da literatura potiguar como patrimônio cultural imaterial busca assegurar a preservação desse legado e fortalecer ações de incentivo à leitura, à formação de novos autores e à circulação de obras produzidas no Rio Grande do Norte.

Leia mais notícias do Rio Grande do Norte no Agora RN: https://agorarn.com.br | Siga-nos: Facebook.com/agorarn

Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/literatura-potiguar-se-torna-patrimonio-cultural-imaterial/