Manchas escuras e peixes mortos são registrados por frequentadores da orla de Fortaleza

Moradores e frequentadores da orla de Fortaleza voltaram a relatar a presença de manchas escuras no mar, especialmente nas proximidades do espigão da Avenida Rui Barbosa, na Praia de Iracema. Além da coloração alterada da água, um forte odor foi percebido por quem caminhava pelo calçadão, reacendendo a preocupação com a qualidade ambiental da região. Imagens registraram ainda a presença de peixes mortos no local.

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O problema, no entanto, não é novo. Em anos anteriores, fiscalizações identificaram mais de 200 imóveis com ligações clandestinas de esgoto em galerias de drenagem que deveriam receber apenas água da chuva. As manchas escuras costumam surgir durante o período chuvoso e já foram registradas em diferentes pontos do litoral da capital, da Barra do Ceará à Sabiaguaba.

Especialistas apontam que a principal causa é o uso irregular da rede de drenagem pluvial por hotéis, residências e restaurantes que, mesmo tendo acesso à rede de esgoto, optam por ligações clandestinas para evitar o pagamento da taxa de esgotamento sanitário. A prática faz com que esgoto seja despejado diretamente nas galerias de águas pluviais, que deságuam no mar.

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Fiscalizações, autuações e imóveis irregulares

Mesmo com rede coletora disponível na região do Riacho Maceió, cerca de 320 imóveis ainda não estão conectados ao sistema de esgotamento sanitário, segundo a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). A suspeita é de que parte desses imóveis esteja utilizando indevidamente a rede de drenagem.

No início de janeiro, um condomínio localizado na Avenida Beira-Mar foi autuado por despejo irregular de efluentes em galeria pluvial. De acordo com a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), as multas variam de R$ 303,75 a R$ 48.600, conforme o Código da Cidade.

Em nota, a Agefis informou que os registros de água escura e resíduos próximos ao espigão da Rui Barbosa podem estar relacionados ao arraste de sedimentos, areia e materiais acumulados nas vias, conduzidos pelas galerias pluviais até o mar. O órgão ressalta que não necessariamente se trata de lançamento de esgoto, embora não descarte a possibilidade e mantenha as fiscalizações nas áreas afetadas.

Já a Cagece reforçou que a mancha é causada pelo uso indevido da rede de drenagem. Conforme a companhia, fiscalizações realizadas em 2025, por meio de cooperação técnica entre Agefis, Cagece e Ambiental Ceará, resultaram em 276 ações apenas no ano passado, com 36 notificações e cinco autos de infração na região da Praia de Iracema.

Riscos à saúde e impactos ambientais

Especialistas alertam que o contato com a água possivelmente contaminada pode causar viroses, doenças respiratórias e problemas de pele. A orientação é evitar o banho de mar em trechos onde a água esteja escura ou com odor forte, até que a situação seja esclarecida.

Além dos riscos à saúde pública, a poluição afeta diretamente a vida marinha — incluindo espécies como boto-cinza, tartarugas, peixes e arraias — e compromete atividades econômicas como o turismo, a pesca e os esportes aquáticos. Comunidades pesqueiras, marisqueiras e ribeirinhas também sofrem os impactos da degradação ambiental.

Enquanto as investigações continuam, moradores cobram medidas mais rigorosas para coibir ligações clandestinas e garantir a qualidade das águas da capital cearense. O caso reforça a necessidade de fiscalização permanente e de conscientização sobre os prejuízos ambientais, econômicos e sociais causados pelo despejo irregular de esgoto no mar.

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Fonte: https://gcmais.com.br/noticias/2026/02/25/manchas-escuras-e-peixes-mortos-sao-registrados-por-frequentadores-da-orla-de-fortaleza/